Arquivos

EMILIO PUCCI.

Foto de Laudomia Pucci.

1_laudomia_pucci

EMILIO PUCCI

Nascido em 1914 para uma das famílias mais ilustres de Florença, o marquês Emilio Pucci di Barsento incorporou naturalmente o jato de glamour da Itália pós-guerra. Multilingual, bem-viajado, educado americano, piloto da força aérea, esquiador olímpico e aristocrata – ele era um homem renascentista em todos os sentidos do termo. Recuperando-se na Suíça após a guerra, e com a economia italiana em ruínas, Pucci chegou ao fim ao ensinar italiano e dar aulas de esqui em Zermatt. Foi lá que, em 1947, uma roupa de esqui aerodinâmica que ele projetou, inicialmente para si mesmo e, em seguida, para seus entusiastas amigos de socialidade foi fotografada por um fotógrafo de moda e publicada no Harper’s Bazaar USA, dando origem a um fenômeno da moda que continua a reverberar até hoje.

Pucci foi impulsionado pelo desejo de libertar as mulheres, concedendo-lhes liberdade de movimento sem precedentes.

Configurando seu atelier no grande palácio da família Pucci no coração de Florença, Emilio começou a trabalhar em estreita colaboração com os fabricantes de tecidos experientes na Itália para fabricar tecidos revolucionários pioneiros e patenteados que evitavam as fabulações pesadas e rígidas em grande parte em circulação naquela época. Contrariamente ao seu design contemporâneo, Pucci foi impulsionado pelo desejo de libertar as mulheres, concedendo-lhes liberdade de movimento sem precedentes. Suas moletadas de seda e algodão eram precursores sem peso, sem revestimento e à prova de rugas para um armário moderno e amigável para viagens que cativava uma nova geração de mulheres modernas e ativas.

Sua primeira boutique foi La Canzone del Mare na ilha de Capri, até mesmo um destino turístico fascinante, onde desenvolveu roupas esportivas elegantes e elegantes: calças “Capri”, camisas de sarja de seda com corte masculino aberto sandálias com toboé e tops de listrada, tudo em cores refrescantes e vibrantes que provocaram a beleza natural da ilha.

Seus projetos apresentavam linhas sensuais e de fluxo livre que seguiam as curvas naturais do corpo – roupas sem esforço que levavam as mulheres do dia para a noite …

Ele começou a mostrar suas coleções para a imprensa internacional e os compradores em Florença, em 1951. Seus projetos apresentavam linhas sensuais e fluidas que seguiam as curvas naturais do corpo – roupas sem esforço que levavam as mulheres do dia para a noite e dos jatos ao coquetel à beira-mar festas, complementando perfeitamente o estilo de vida da multidão de alta rotação. As coleções tiveram o fascínio da alta costura, mas foram derramadas pela impraticabilidade e pelo custo da alta costura, anunciando o conceito inovador de designer pronto a usar, que teve um efeito em cascata em toda a indústria da moda.

Além disso, Emilio ofereceu uma visão de design holística que variava para interiores, lingerie, óculos, perfumes e muito mais, proporcionando um grupo expandido de consumidores com acesso aos produtos de grife pela primeira vez. Ele também emprestou seu talento de design a uma variedade de projetos não-moda, incluindo, entre outros, uniformes futuristas da companhia aérea, o logotipo para uma missão espacial e um carro de luxo.

Como colorista, ele era incomparável e inspirava-se principalmente nas paisagens naturais do Mediterrâneo, mas também nos locais exóticos para os quais ele viajava.

Foi durante os anos 50 que Pucci começou a desenvolver suas impressões de assinatura: desenhos gráficos e abstratos inspirados pelo mundo ao seu redor – mosaicos sicilianos, bandeiras heráldicas, Bali Batiks e motivos africanos. Foi a primeira vez que tais padrões geométricos pulsantes foram incorporados na roupa e o efeito foi muito original, tanto que a imprensa internacional da moda, ferida por sua abordagem negativa e radical, o coroou “O Príncipe das Impressões”. Cada impressão era como uma obra de arte nascida sobre uma tela de seda, emoldurada com uma borda decorativa e assinada em nome do artista – “Emilio”. Ele trouxe uma paleta de cores luscious e brilhante para o seu ofício. Como colorista, ele era incomparável e inspirava-se principalmente nas paisagens naturais do Mediterrâneo, mas também nos locais exóticos para os quais ele viajava. O resultado foi uma sofisticada fusão de cor que se tornou a marca do design Pucci. Instantaneamente reconhecíveis, as combinações gloriosas e alegres de Pucci exalam energia e emoção e permitem que os projetos das roupas se mantenham relativamente simples.

Na década de 1980, a filha de Emilio, Laudomia Pucci, tornou-se cada vez mais envolvida no negócio de seu pai, finalmente assumindo as rédeas após sua passagem em 1992. Em abril de 2000, formou-se uma aliança entre a família Pucci e a LVMH, com o grupo de luxo francês adquirindo 67 % da empresa e da família mantendo um interesse adquirido. Com o apoio e a experiência financeira do Grupo, a marca aumentou no cenário da moda internacional e, em um tempo relativamente curto, construiu uma rede global que agora inclui mais de 50 boutiques em capitais de moda globais e uma pegada nos mais importantes varejistas de luxo do mundo.

… A marca subiu no cenário da moda internacional e em um tempo relativamente curto construiu uma rede global que agora inclui mais de 50 boutiques …

A visão pioneira do fundador Emilio continua hoje através das coleções de pronto-a-vestir e acessórios, bem como através de projetos especiais. A linha de produtos Emilio Pucci inclui vestuário, bolsas, artigos de couro pequenos, calçados, óculos, roupas de praia e acessórios de seda. Nos últimos anos, tem visto o nascimento de iniciativas de co-branding com Guerlain e Veuve Clicquot, licenças com Rossignol, Wolford, Parfums Luxe e Bisazza e criações artísticas de alto impacto, como um gennaker pintado à mão de 300 pés para iates Wally e o envolvimento do Baptistery de Florença com uma cópia de arquivo de tamanho gigante criada em sua homenagem.

Uma influência importante na moda contemporânea, o legado de Emilio Pucci continua a ser uma força seminal por trás do nascimento do estilo “made in Italy” e um marco no conceito de moda esportiva de luxo da Itália.

A roupa de esqui aerodinâmica projetada em 1947 que chamou a atenção da imprensa de moda americana.

Os projetos de Pucci apresentavam linhas sensuais e fluidas que seguiam as curvas naturais do corpo.

Emilio instalou seu atelier no grande palácio da família Pucci, no coração de Florença.

Emilio Pucci Resort 2017.

A marca Emilio Pucci é famosa por impressões de assinatura, combinações de cores alegres e modas de luxo “feitas na Itália”.

Twenty Four Seven – uso e amo!

Temos como missão transmitir confiança e comprometimento trazendo a cada coleção escolhas conscientes e traduzindo através de roupas e acessórios o que as mulheres Twenty Four Seven desejam e necessitam. A Twenty Four Seven é uma marca que segue um viés clássico nas cores, na qualidade da matéria-prima e nos acabamentos e tem acento trendy nas formas, nas estampas e na edição de looks. Feita para todas as mulheres “nonstop” que existem dentro de cada uma. Essa mulher não tem idade, tem atitude sofisticada e simplicidade nas ações. Ela sabe ser chique e simples ao mesmo tempo, e o nosso objetivo como marca é fazer com que a Twenty Four Seven inspire todas as mulheres e as ensine a ter um lifestyle “simple n´chic”, como a assinatura da marca.

Sobre Raphael Sahyoun

Para quem o conhece, dispensamos apresentações. Para quem teve ou tem oportunidade de trabalhar ao seu lado, uma única certeza: a paixão pela moda. A vida para ele só vale a pena quando ele se conecta, cria e compartilha com o mundo o seu melhor. Não é o dinheiro que o move, o que o trouxe de volta é o sentimento mais elevado de fidelidade e comprometimento em busca de suas verdades.

Ele encontra na estética e no belo, o real significado para a sua vida. Traz o seu melhor em tudo o que faz, tem criatividade efervescente e, como faz o que acredita, apresenta sempre as melhores soluções, os melhores resultados. Temos a oportunidade (e sorte!) de aprender todos os dias com ele. Para ele, só faz sentido se as pessoas estiverem trabalhando felizes ao seu redor. E nós trabalhamos muito felizes. Ao lado dele, fazemos o que acreditamos, há espaço para nos movimentar, para nos expressar, para edificar nossas ideias, para crescer. Para ele não existe não. Para ele sempre falamos sim. Ele sempre nos mostra um novo olhar , uma nova maneira de fazer. E fazemos o que nós acreditamos movidas também pelo sentimento mais elevado que existe, que é o amor.

Todas as estações tem seus encantos, mas o verão possui algo especial: as festas de final de ano, as tão sonhadas férias, tudo fica mais colorido, mais divertido, o sol está mais próximo da Terra, os dias são mais longos, a pele fica mais bronzeada, acontecem as grandes paixões, as mais loucas aventuras.

A Twenty Four Seven foi buscar inspiração para a coleção de verão 2018 na Bahia, nas areias da praia de Itacaré, no Txai Resorts, que foi palco de tudo e nos embalou de sol a sol  com seu conceito simple n’ chic, que é o que nos move a cada estação. Estampas florais gigantes e miúdas, cashmere revisitado, geométricos com formas encontradas nas areias da praia e a de lenço com inspiração indígena se misturam as listras e bolinhas bicolores e criam um mood mix and match, onde tudo é permitido. Cores mais ácidas, lima, melancia, papaya e carbono se juntam ao branco, off white, nude e ao chocolate. Nas formas também não há lei, super pantalonas, comprimentos curtos, mídis ou longos, cintura no lugar permitindo partes de cima cropped, babados e laços realçando a constante feminilidade presente nessa coleção. Tecidos de fibras naturais como seda, linho, tencel e viscose se somam a macramês, rendas, bordados manuais rústicos e de pedrarias. Tricots com fios de lurex, tie dye e de algodão fazem de vestidos, saias e blusas opções para serem misturados com outras peças e seguem  como ponto forte da marca, assim como a alfaiataria clássica, jeanswear descolado e a itens de estilo comfy em malha e tecido plano. Um bloco de peças brancas , prata e dourado com texturas e volumes diferenciados anunciam o Ano Novo e nos levam para qualquer festa do planeta. Acessórios coloridos nas bolsas de plush e de palha, cintos, sandálias e rasteiras de couro se misturam a colares e pulseiras de metal ouro envelhecido, penas, cordas, miçangas, acrílico e pedrarias , criando volumes felizes na finalização dos looks. “Que o sol banhe nosso corpo, o mar lave nossa alma e os ritmos da estação aqueçam nossos corações”.

Sandra de Souza Silva | Diretora Criativa

 

Max Mara – 60 anos de história.

Poucas marcas podem se gabar de chegar aos 60 anos sem ter sofrido grandes alterações genéticas no estilo e na estrutura administrativa para se manter no topo. A italiana Max Mara, que completa seis décadas de moda investindo em peças atemporais, com alto padrão de qualidade e design prático, é uma delas. Para celebrar o aniversário, a grife, comandada pela família Maramotti, preparou uma série de eventos ao redor do mundo, como a exposição Coats! Max Mara 60 Years of Italian Fashion, em Moscou, Rússia. A mostra, que fica em cartaz até este mês, reúne dezenas de casacos, o símbolo-mor da etiqueta. Entre eles, o mais famoso da label: o 101801. Lançado em 1981, o modelo de comprimento 7/8 e cor camelo, tem lugar garantido em quase todas as coleções de inverno e conquistou celebridades como Cate Blanchett, Isabella Rossellini e Glenn Close. A história da Max Mara, entretanto, começou 30 anos antes dessa criação.

Nascido em 1927, na província de Reggio Emilia, Itália, Achille Maramotti, fundador da grife, chegou a se formar em direito, mas sua ligação com o universo fashion falou mais alto. Afinal, a moda já estava impressa em seu DNA. Sua bisavó, Marina Rinaldi, comandou um ateliê no fim do século 19, na terra natal da família.

Maramotti começou a carreira fazendo peças sob medida no fim da década de 1940. Alguns anos depois, percebeu que havia um grande potencial para a moda de pronta entrega e decidiu investir no prêt-à-porter. Foi quando fundou a Max Mara, em 1951. O nome surgiu da junção do seu apelido, Mara, com o nome de um famoso conde local, Max, que, segundo a lenda, andava sempre muito bem vestido, apesar de dificilmente estar sóbrio. A primeira coleção em larga escala foi marcada por um casaco camelo, uma espécie de presságio do que ainda estava por vir, e um terno vermelho.

Mesmo com o empreendimento indo bem, Maramotti nem pensava em sossegar. Investiu em linhas novas, como a Sportmax, que, assim como a marca mãe, integra o line-up da semana de moda de Milão. Também se uniu a grandes talentos do universo fashion para agregar ainda mais valor à etiqueta. Karl Lagerfeld, Dolce & Gabbana, Jean-Charles de Castelbajac e Narciso Rodriguez foram alguns dos nomes importantes que colaboraram com ela.

Mais de 50 anos após criar a grife, Achille Maramotti saiu de cena – ele morreu em 2005. Seus filhos Luigi, Ignazio e Ludovica assumiram o business, mantendo o negócio como uma empresa estritamente familiar e contrariando a atual ordem mundial dos grandes conglomerados. Apesar da injeção de sangue novo, o estilo permaneceu o mesmo. A responsável pelo feito é Laura Lusuardi, a atual diretora criativa do grupo, que já bate cartão na marca há algumas décadas e conhece profundamente seu DNA.

“O sucesso se deve principalmente à qualidade dos produtos. A equipe também é muito detalhista. Um casaco da Max Mara é para a vida inteira. É uma peça atemporal e muito elegante”, comenta Angélika Winkler, que trouxe a marca para o Brasil nos anos 1990 por meio da multimarcas K&C, muito antes da invasão de labels estrangeiras.


“Depois, a grife quis abrir pontos de venda próprios em São Paulo e me convidou para dirigir o negócio”, lembra. A primeira loja foi inaugurada em 1998, na rua Haddock Lobo. A segunda abriu as portas em 2001, no Shopping Iguatemi. Ainda existe um terceiro espaço em Curitiba. Há mais de 15 anos respirando diariamente o universo da marca, Angélika se sente à vontade para falar sobre ela. “A linha principal é mais clássica, de fato. Mas temos outras mais fashion, em sintonia com as tendências do momento”, diz a empresária.

A Max Mara, que hoje tem entre suas fãs a it-girl Katie Holmes (vira e mexe, ela é flagrada com algum item, inclusive a bolsa Margaux, um must-have), possui números de um verdadeiro império. Está presente em mais de 2 mil endereços, espalhados em 105 países, e conta com uma variedade imensa de produtos, divididos em diferentes linhas, entre elas Elegante, ‘S, Weekend, Studio e Accessori. E, apesar de todo o avanço, ainda é fiel a algumas tradições. A fábrica do grupo permanece em Reggio Emilia, onde tudo começou. “Porém parece que é do século 22 de tão moderna”, finaliza Angélika, indicando que tradição e modernidade andam lado a lado.

https://l.facebook.com/l.php?

Thierry Mugler – meu perfume único e favorito. Não uso outro.

Thierry Mugler nasceu em Estrassburgo, na França. Quando era adolescente criava seus próprios modelos. Em 1971, desenhou sua primeira coleção, mas só dois anos mais tarde é que assinou suas criações, que sempre se destacaram pela ousadia, sensualidade e propostas divertidas. Nas criações de Thierry Mugler, um ponto de destaque é o apuro da execução de seus modelos.

Nos anos 90, criou um perfume que logo ficou célebre e é sucesso no mundo todo, Angel. Para proteger e realçar o seu precioso frasco, Mugler imaginou a “cover” Angel através de um design pop-art azul e colorido, à semelhança do look glam-rock da musa de Angel: Georgia May Jagger.

 

Perfume Angel Refillable Feminino Thierry Mugler EDT 25 ml - Incolor

 

Michael Kors

Michael Kors
Michael Kors, Photographed by Ed Kavishe for Fashion Wire Press.jpg
Nome completo Karl Anderson, Jr.
Nascimento 9 de agosto de 1959
Long Island, Nova Iorque, Estados Unidos
Nacionalidade  Estados Unidos
Ocupação Estilista

Karl Anderson, Jr. (Long Island, 9 de agosto de 1959), mais conhecido pelo seu nome artístico, Michael Kors, é um estilista norte-americano. Integra o juri do programa televisivo Project Runway.

Biografia

Filho de Joan Hamburger, ex- modelo, e seu primeiro marido, Karl Anderson, um estudante universitário. Aos 19 anos de idade ingressou no Fashion Institute of Technology (Nova Iorque), a fim de estudar fashion design. Em 1981, com apenas 21 anos, Kors lançou a linha Michael Kors womenswear para loja como Bloomingdale’s, Bergdorf Goodman, Lord & Taylor, Neiman Marcus e a Saks da quinta avenida. Em 1997, ganhou um prêmio de melhor estilista feminino e melhor diretor criativo ready-to-wear da multimarcas Celine, na qual, trabalhou até 2003. Em 2004, lançou a sua própria coleção, contendo não só roupas como acessórios e sapatos. A marca se espalhou pelo mundo e o estilista é um dos mais influentes de sua geração. Cultuado por celebridades como Angelina Jolie, Blake Lively, Brooke Shields e Michelle Obama.

Em 2011 sua empresa abriu capital na bolsa de valores.

Michael Kors foi eleito em 2014 pela Forbes, o mais novo bilionário do mundo.

Jeito Incomum.

Num dia de verão de 1990, com objetivo de iniciar sua atividade profissional, Karla Schwengber tem a ideia de produzir algumas peças de moda feminina e comercializá-las. Nasce então a Essência Incomum Confecções Ltda. A partir desse momento, não parou mais de se envolver com a moda, mas foi em 1997 que, ao abrir a loja situada à Rua Barão de Santo Ângelo, no bairro Moinhos de Vento, que ocorreu a identificação com o produto destinado a festas e eventos, sem esquecer a moda urbana é claro.

Fonte: Jeito Incomum.

Academia Brasileira de Letras.

História

Fundação

A iniciativa foi tomada por Lúcio de Mendonça, concretizada em reuniões preparatórias que se iniciaram em 15 de dezembro de 1896 sob a presidência de Machado de Assis (eleito por aclamação) na redação da Revista Brasileira. Nessas reuniões, foram aprovados os estatutos da Academia Brasileira de Letras a 28 de janeiro de 1897, compondo-se o seu quadro de quarenta membros fundadores. A 20 de julho desse ano, era realizada a sessão inaugural, nas instalações do Pedagogium, prédio fronteiro ao Passeio Público, no centro do Rio.

Sem possuir sede própria nem recursos financeiros, as reuniões da Academia eram realizadas nas dependências do antigo Ginásio Nacional, no Salão Nobre do Ministério do Interior, no salão do Real Gabinete Português de Leitura, sobretudo para as sessões solenes. As sessões comuns sucediam-se no escritório de advocacia do Primeiro Secretário, Rodrigo Octávio, à rua da Quitanda, 47.

A partir de 1904, a Academia obteve a ala esquerda do Silogeu Brasileiro, um prédio governamental que abrigava outras instituições culturais, onde se manteve até a conquista da sua sede própria.

Petit Trianon

O Petit Trianon.

Em 1923, graças à iniciativa de seu presidente à época, Afrânio Peixoto e do então embaixador da França, Raymond Conty, o governo francês doou à Academia o prédio do Pavilhão Francês, edificado para a Exposição do Centenário da Independência do Brasil, uma réplica do Petit Trianon de Versalhes, erguido pelo arquiteto Ange-Jacques Gabriel, entre 1762 e 1768.

A 22 de Setembro de 1941 foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada de Portugal e a 26 de Novembro de 1987 foi feita Membro-Honorário da mesma Ordem de Portugal.

Essas instalações encontram-se tombadas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, desde 9 de novembro de 1987. Os seus salões funcionam até aos dias de hoje abrigando as reuniões regulares, as sessões solenes comemorativas, as sessões de posse dos novos acadêmicos, assim como para o tradicional chá das quintas-feiras. Podem ser conhecidas pelo público em visitas guiadas ou em programas culturais como concertos de música de câmara, lançamento de livros dos membros, ciclos de conferências e peças de teatro.

Petit Trianon, sede da ABL no Rio de Janeiro

No primeiro pavimento do edifício, no Saguão, destaca-se o piso de mármore decorado, um lustre de cristal francês, um grande vaso branco de porcelana de Sèvres e quatro baixos-relevos em pedra de coade ingleses. Entre as demais dependências, ressaltam-se:

No segundo pavimento encontra-se a Sala de Chá, onde os acadêmicos se encontram, às quintas-feiras, antes da Sessão Plenária, a Sala de Sessões e a Biblioteca. Esta última atende aos acadêmicos e a pesquisadores, com destaque para a coleção de Manuel Bandeira.

Espaço Machado de Assis

No segundo pavimento do Centro Cultural da Academia Brasileira de Letras encontra-se o Espaço Machado de Assis, que abriga o Núcleo de Informação e Referência sobre a obra de Machado de Assis, a Galeria de Exposições e a Sala de Projeções, onde se podem assistir filmes e vídeos relativos ao universo machadiano.

Revista da academia

Uma edição da Revista Brasileira exposta numa biblioteca municipal.

Em 1910 a instituição lança seu periódico oficial, a Revista da Academia Brasileira de Letras, posteriormente a instituição encampa a tradicional Revista Brasileira, para resgatar e dá prosseguimento ao períódico, que assim passa – em 1941 – por sugestão de Levi Carneiro[10], a ser a revista da Casa de Machado de Assis[11].

Características

A Academia tem por fim, segundo os seus estatutos, a “cultura da língua nacional”, sendo composta por quarenta membros efetivos e perpétuos, conhecidos como “imortais”, escolhidos entre os cidadãos brasileiros que tenham publicado obras de reconhecido mérito ou livros de valor literário, e vinte sócios correspondentes estrangeiros.

À semelhança da Academia francesa, o cargo de “imortal” é vitalício, o que é expresso pelo lema “Ad immortalitem”, e a sucessão dá-se apenas pela morte do ocupante da cadeira. Formalizadas as candidaturas, os acadêmicos, em sessão ordinária, manifestam a vontade de receber o novo confrade, através do voto secreto.

Os eleitos tomam posse em sessão solene, nas quais todos os membros vestem o fardão da Academia, de cor verde-escura com bordados de ouro que representam os louros, complementado por chapéu de veludo preto com plumas brancas. Nesse momento, o novo membro pronuncia um discurso, onde tradicionalmente se evoca o seu antecessor e os demais ocupantes da cadeira para a qual foi eleito. Em seguida, assina o livro de posse e recebe das mãos de dois outros imortais o colar e o diploma; a espada é entregue pelo decano, o acadêmico mais antigo. A cerimônia prossegue com um discurso de recepção, proferido por um confrade, referindo os méritos do novo membro.

Instituição tradicionalmente masculina, a partir de 4 de novembro de 1977, aceitou como membro Rachel de Queiroz, para quem foi desenhada uma versão feminina do tradicional fardão: um vestido longo de crepe francês verde-escuro, com folhas de louro bordadas em fio de ouro.

Presidentes da ABL

O primeiro presidente da ABL foi Machado de Assis, eleito por aclamação e também seu “presidente perpétuo”. Durante quase 34 anos consecutivos, Austregésilo de Athayde presidiu o Silogeu (1959-1993), imprimindo, na sua gestão, um caráter de vitaliciedade ao cargo que fugia aos princípios originais – e que foi abandonado por seus sucessores.

Ana Maria Machado, foi eleita para presidir a academia no biênio 2012/2013. Foi a segunda mulher a ocupar o cargo. Sucedida por Geraldo Holanda Cavalcanti.

Membros

De pé: Rodolfo Amoedo, Artur Azevedo, Inglês de Sousa, Bilac, Veríssimo, Bandeira, Filinto de Almeida, Passos, Magalhães, Bernardelli, Rodrigo Octavio, Peixoto; sentados: João Ribeiro, Machado, Lúcio de Mendonça e Silva Ramos.

No quadro atual da Academia, o mais antigo dos Imortais é José Sarney, eleito em 17 de julho de 1980, e o mais novo é Zuenir Ventura, eleito para a cadeira de número 32 em 6 de março de 2015. O membro mais idoso é a professora Cleonice Berardinelli de 100 anos.

Patronos das cadeiras

Para cada uma das quarenta cadeiras, os fundadores escolheram os respectivos patronos, homenageando personalidades que marcaram as letras e a cultura brasileira, antes da fundação da Academia.

Foi uma inovação. A Academia Francesa, que servira de modelo, instituíra as cadeiras, mas atendendo apenas a uma numeração de um até quarenta. A escolha desses patronos deu-se de forma um tanto aleatória, com sugestões sendo feitas pelos próprios imortais.

Historiando esta escolha, em discurso proferido na casa, no ano de 1923, Afrânio Peixoto (que dela foi presidente), deixou registrado:

Sócios correspondentes

No quadro atual da Academia, o mais antigo dos sócios correspondentes é José Carlos de Vasconcelos, eleito em 1981, e o mais novo é Didier Lamaison, eleito em 2009.

Críticas

A Academia Brasileira de Letras já foi criticada por nunca ter se aberto para aclamados escritores da literatura brasileira, tais como Lima Barreto, Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, Graciliano Ramos, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Vinícius de Moraes, Erico Verissimo, Mário Quintana e Paulo Leminski, bem como por ter tornado “imortais” políticos como Getúlio Vargas, José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, ex-presidentes da República; o senador pernambucano Marco Maciel, ex-vice presidente da República; o político catarinense Lauro Müller; o médico Ivo Pitanguy, cirurgião plástico; o inventor Santos Dumont, que apesar de suas grandes contribuições científicas, não se dedicava à produção literária; Assis Chateaubriand, magnata das comunicações no Brasil entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960; Roberto Marinho, fundador do maior império de mídia do país; Merval Pereira, jornalista colaborador da Rede Globo; e Paulo Coelho.

Também não participaram da Academia os escritores Jorge de Lima e Gerardo Melo Mourão, indicados ao Prêmio Nobel de Literatura. António Cândido de Mello e Sousa, Autran Dourado, Rubem Fonseca e Dalton Trevisan, vencedores do Prêmio Camões, são outros nomes importantes que não figuram entre os membros da instituição.

O mérito dos patronos das cadeiras também é bastante debatido, conforme pode ser visto no trecho do discurso proferido por Afrânio Peixoto, registrado acima.

O jornalista Fernando Jorge em “A Academia do Fardão e da Confusão: a Academia Brasileira de Letras e os seus ‘Imortais’ mortais” critica a eleição de “personalidades” para a ABL, ou seja, pessoas influentes na sociedade, mas cuja principal ocupação não era a literatura e que, muitas vezes, produziam materiais apenas para que pudessem ser eleitos, nunca mais voltando a produzir qualquer obra de valor literário. O pesquisador também critica o processo eleitoral, pois este não seria feito com base nos méritos literários dos candidatos.

Jorge também afirma que a Academia também não empreende projetos em favor da cultura da língua portuguesa, apesar de dispor de capital para, por exemplo, relançar edições esgotadas e promover campanhas de alfabetização e incentivo a leitura. Além disso, para o escritor, a instituição permaneceu calada diante das pesadas censuras do Governo Vargas e do Regime Militar brasileiro.

Fonte: Wikipédia.