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Au Revoir, M. Bocuse!

Rio, 25 de janeiro de 2018. Au Revoir, M. Bocuse

24 jan

Paul Bocuse era um homão cordial, bem humorado, mulherengo, de bem com a vida. Sempre disposto a prestigiar a “numerosa família de cozinheiros”,  mundo afora, embora tivesse a sua patota francesa, o que é normal porque a gastronomia também estabelece uma hierarquia dos grupos humanos. E sempre pronto a posar ao lado de um cliente, um prato, uma paisagem. Era midiático assumido. Se aparecia uma máquina fotográfica (acho que não pegou a onda dos selfies) ele  se espigava e ficava imperial, pronto para a posteridade. Quase sempre com os braços cruzados sobre o vasto peito.

Esta foto foi tirada comigo, no restaurante St. Honoré (Hotel Méridien, Rio), em 1991, em pose rara: sorrindo e sem os braços cruzados.

Adiante: grosso modo, nos primeiros mil e seiscentos anos da nossa era, se comia em casa, no convento, na caserna — ou nos palácios (para poucos). Como é sabido, foi só depois da Revolução Francesa de 1789 que os “cozinheiros do rei” perderam o emprego e foram abrir estabelecimentos de  restauração (os “bouillon restaurant”, ou seja, caldo restaurador) nos vilarejos e depois em Paris.  No século seguinte, XIX, esses restauradores-restaurantes se espalharam pela Europa, com um traço que os caracterizava: pratos variados constantes de um quadro negro/cardápio, com preço e horários fixados. Mas,  com raríssimas exceções, o cozinheiro só era conhecido pela família, amigos ou os donos do negócio. Aqui no Rio, por exemplo, minha geração e as anteriores frequentaram às vezes durante anos o mesmo bom restaurante sem nunca terem visto a cozinha — e muito menos o cozinheiro! Embora após uma saborosa refeição houvesse a inconsciente certeza (dos comensais) que alguém, lá dentro, era um alquimistas do paladar.

Por isso, não dá para jurar que Bocuse tenha sido o primeiro mas, com certeza, foi um dos pioneiros a adicionar à essa áurea de mágico da transformação da matéria-prima em iguaria a do ator principal no restaurante. O cozinheiro presencialPor intuição, o que lhe dá mais valor. Nunca fez um curso de marqueting, nem coaching, mas nasceu marqueteiro do bem, como disse o Josimar Melo numa nota-obituária, que conclui: “ao surgir no salão do seu estrelado Collonges-au-Mont-d’Or e correr as mesas, ora cumprimentando com a cabeça, ora trocando um dedo de prosa com os convidados, ele contribuiu grandemente para enaltecer a profissão do cozinheiro, antes (como eu digo no início) um operário anônimo”.

Essa necessidade de exibição se instalou no seu ego desde quando moço. Aos 17 anos alistou-se no exército francês para lutar contra o nazismo, foi ferido e os americanos lhe fizeram a tatuagem de um galo no braço. Ele passou a exibir como troféu!

Com a idade e a fama, aí decolou! Aliás é só ver uma foto externa do seu restaurante para ter certeza!

Assistam o vídeo.

Claro que antes do Bocuse outros criativos cozinheiros imprimiram a sua marca à arte de transformar o alimento  em experiência dos sentidos, em mega espetáculos — prerrogativa dos banquetes de estado e da mesa de grandes negócios (no free lunch!).

Todos tiveram seus nomes — e lenda — associados a reis e presidentes. Valem registro nesse pantéon,  Taillevent (1310-1395),  Vatel (1631-!671), Carême (1783-1833), Escoffier (1846-1935) e, por fim,  o nosso Bocuse (1927-2018), a quem o então presidente Giscard d’ Estaing outorgou a Legião de Honra, em 1975, no Palácio “l’ Élysée”, cerimonia a que se seguiu o banquete em que o chef serviu a sua sopa de trufas VGE.

Hoje ela faz parte do menu de 550 euros para duas pessoas, e mais:

Escalope de foie gras de canard poêlée, sauce passion 
Soupe aux truffes noires V.G.E.
(plat créé en 1975 pour l’Elysée)
Filets de sole aux nouilles Fernand Point
Granité des vignerons du Beaujolais 
Volaille de Bresse truffée en vessie
Sélection de fromages frais et affinés “Mère Richard “
Délices et gourmandises
Petits fours et chocolats

Vejam o vídeo com a cerimonia da condecoração.

Bocuse é, também, um dos papas da chamada Nouvelle Cuisinne, termo que ele usou para explicar a simplificação dos molhos e volume e a busca de ingredientes frescos, criados inicialmente para o cardápio do voo inaugural do Concorde em 1969. Depois o exagero na redução (pratão x comidinha) acabou por transformar essa tendência num meio termo que é hoje praticado com vários “títulos”: cozinha autoral, o melhor do simples…

Paul Bocusse morreu aos 91 anos, do Mal de Parkinson, no mesmo quarto onde nasceu. Seu nome se inscreve no “menu” dos que fizeram a diferença na marcha da humanidade — a estrela que brilhou mais do que aquelas que recebeu em seu restaurante, e que agora ficou encantada — até porque foi tão capaz de transformar um prato de comida em um poema, quanto de transformar a sua vida pessoal em uma obra-prima.

Boa viagem, mestre!

http://jblog.com.br/reinaldo/2018/01/24/rio-25-de-janeiro-de-2018-au-revoir-m-bocuse/

 

Carmen Mayrink Veiga: pontos altos entrevista à Vogue de março de 1997 Morta em 2017, Carmen foi capa e recheio da edição, entrevistada por Ignácio de Loyola Brandão

Carmen Mayrink Veiga (Foto: Reprodução/Acervo Vogue)
Carmen Mayrink Veiga (Foto: Reprodução/Acervo Vogue)

Carmen: nasci em Pirajuí, Estado de São Paulo. O meu pai trabalhava com café e marávamos numa chácara cheia de brinquedos para rodar, gangorra para balançar, piscina. Eu tinha meu cavalo, uma charrete, então ia para a cidade, era uma coisa ótima.

A minha mãe nunca foi amiga de viajar, só era uma pessoa que fazia tudo o que se tem de fazer. Assim, era sagrado em julho a gente passar em Campos do Jordão. Não tinha que querer ou não, tinha que ir! Depois as férias em Guarujá. Não, antes a gente começou indo para São Vicente, depois Guarujá. E, fora isso, todo ano havia uma coisa chatérrima: 21 dias em estação de águas – Caxambu, Poços de Caldas, São Pedro, tudo o que era lugar.

Minha mãe era superquadrada, tinha que fazer, quisesse ou não. Um belo dia, apareci no Guarujá, já com 13 anos, tendo 1,78m de altura, um corpaço para a época. Os fotógrafos me descobriram, começou uma enxurrada de fotos em cima de mim. Meu pai ficou uma vara: ‘Como é que uma menina de família sai em foto de maiô?’ Foi um verdadeiro drama…

RUEIRA E ASSANHADA
E era maiô inteiro?
Na época ainda era. Em seguida, comecei a sair de biquíni, mas demorou uns dois anos. Acontece que meu pai, achando bom ou ruim, guardou todas as fotos, recortes, não jogou fora. Quando olho para esses álbuns vejo que comecei a aparecer muito cedo. E saí muito, demais. Acho que estava deslumbrada com o sucesso, garotíssima, criada no mato…. Aliás, logo que me casei, tentei não sair mais. O Tony sempre odiou sair, sempre detestou, eu é que sempre fui rueira e assanhada. Não adiantou nada. A primeira vez que reapareci, ficou aquela coisa…

Cabelão até aqui.
Na época ia até a cintura, cabelão mesmo! Ninguém usava cabelo daquele tamanho, ninguém apreciava o formato do meu nariz, e todo mundo fazia plástica. O nariz da moda era o da Elizabeth Taylor…. Eu me achava o máximo. Nos anos 50, fomos para Paris. Um grupo enorme. E nele a Danuza e eu, as duas únicas solteiras, o resto era gente casada… Lançamento dos tecidos Bangu no Castelo de Coberville. Fiz um enxoval, inteiro Bangu, aconteceram bailes, festas e nós estávamos em todos. Não é que a gente desfilasse, a gente usava os vestidos!

PAI E MÃE
Meu pai era organizadérrimo. Ele tinha um cabide para pendurar a calça, dobradinha, usava abotoadura, prendedor de gravata, com uma pedra, um brilhante e relógio patacão de ouro. A minha mãe era uma maravilha. Se ela tinha um encontro às 15h30, a hora que chegasse ela virava o relógio e punha 15h30. Esse lado meu chaterrímo, exigente, de pontual, puxei do meu pai. Agora, esse lado de organização, a mania de comer bem, saber cozinhar bem, fazer bem tudo que se tem que fazer, eu puxei da minha mãe.

DESPERTAR
E o seu dia-a-dia?
Acordo, leio os jornais, leio quatro jornais, às vezes cinco. Mais espio do que leio: a Folha de S. Paulo, o Estado, O Dia, O Globo e o Jornal do Brasil. Semanalmente, a Time. Levanto-me logo que acordo, detesto ficar no quarto, no meu quarto nunca entrou uma comidinha. Não tomo café no quarto. Abro a janela do meu quarto, tenho horror que a arrumadeira entre. Abro tudo, quero saber logo como é que está o tempo, solto meu gato, e ele vai passear pela casa, porque ele dorme comigo.

SAINDO POUCO
Meu almoço é super ligeiro. Um frango, um peito grelhado. Daí eu almoço em casa, o Tony almoça em casa todo dia, mas não pega leve. Come arroz, feijão, bife, batata frita, croquete, pastel, massas. Uma loucura o que ele come e não engorda nem um grama. Um e outro happy hour, cada vez menos. Janto cedo, às vezes saio para jantar sábado. Boate sempre detestei. Parece que frequentei muito, mas, na verdade, frequentei muito mais em jornal e revista.

UM CINEMA À TARDE
Adoro leilões de arte. Nem que não vá comprar nenhum cinzeiro, gosto de ver leilão, sempre me diverti. Durante 20 anos sempre passei o mês de novembro em Londres. Às 11 horas, todo dia, eu estava na Sotheby’s, pertinho do Claridge. Leilão é uma aula. Você pega aquele catálogo e vai anotando: o estilo dos móveis, o valor, então a gente está atualizada sempre, isso é importante. Vou muito a museu, ao museu de Belas Artes, faço parte do Conselho de Amigos do Museu, adoro exposição, sou muito ligada à arte, vou muito ver leilão. Se tem um filme bom, vou à tarde, vou sozinha, nem passa pela cabeça do Tony ir. Às vezes, passo por uma igreja, rezo um pouquinho, 10 minutos, 5 minutos.

MINHA MODA É MINHA MODA
Por incrível que pareça, detesto fazer compras. Não vou a lojas, tenho pavor, pânico de loja. É chatérrimo. Duas vezes por ano me organizo. No Brasil, verão e inverno, se bem que aqui não existe quase inverno. Na Europa é primavera, verão, outono e inverno. Então, duas vezes por ano, pego uma semana, encomendo vestido, sapato, bolsa, tudo o que vou precisar. A minha roupa é muito clássica, então não é coisa que me preocupe. Não sou de: “Olha, está na moda sandália.” Vou procurar o que tem, não estou nem aí. A minha moda é minha moda, sigo e gosto, não nada preocupada.

Você tem lugares determinados onde compra, encomenda?
Bom, praticamente me vesti, durante mais de 30 anos, na alta-costura, o Givenchy, que não trabalha mais, o Saint-Laurent, que adoro, alguma coisa do Ungaro. Quando faço roupas no Brasil, e faço sempre, mesmo quando morei em Paris, encomendava coisas da Maison Liliane, uma alta-costura muito boa, e do Guilherme Guimarães, ótima fashion line. Hoje tem muita gente boa na moda. Se bem que alta-costura a gente não precisa no Rio de Janeiro. Aqui no Rio o prêt-à-porter é mais que suficiente. Sinto-me confortável na hidroginástica com os maiôs da La Perla e adoro os maiôs Lenny.

Mudanças na sociedade carioca?
Dizer que a sociedade carioca mudou ou não mudou é um pouco diferente, agora. Meus amigos, eu, nós continuamos nos encontrando, um vai em almocinho na casa do outro, de vez em quando tem um jantar. O que acabou, literalmente, foram as grandes festas. Ninguém mais dá um jantar, entrou um pouco no sistema americano, o que acontece grande é beneficente. Ninguém mais dá um jantar de cento e tantas pessoas sentadas, lugares marcados, isso infelizmente foi acabando. Mas não acabou só aqui, acabou em Paris também. O único lugar que mantém vida social bastante intensa é Nova York, mas baile é tudo beneficente, aliás, lá sempre foi. Ia duas vezes por ano em Nova York.

SAIBA MAIS

PLÁSTICA NUNCA!
A minha cadeira predileta é a do avião. Não entro em barco, não conheço. Tony alugou uma casa em Angra, durante três anos. Nesses três anos, fui no máximo a cinco ou seis weekends, se tanto. À praia, desde os anos 70, não vou mais. Vou à piscina, mas não tomo sol. Por isso nunca fiz plástica, nunca vou fazer. Só um conserto, vez ou outra, aqui no pescoço. A ruga volta, ligo para Mário Galvão: Mário, manutenção. Tomo anestesia local, põe um ponto. Na cara, nem morta. E o nariz. Quem sabe onde tem o nariz, não mexe nele. Tinjo os cabelos. Eles são claros, originalmente. A vida inteira tingi de preto.

MEDO
Nunca tive medo de nada na minha vida. Desde o dia em que nasci. Não conheço a palavra medo. Sou uma sobrevivente, é verdade: uma vez, estava indo para um almoço, uma bala perdida moeu o para-brisa do carro. Outra vez, passei de carro por um fogo cruzado numa das saídas do metrô. Se for vítima de uma bala perdida, é meu destino.

NAS FOTOS E NO REAL
Carmen: Eu era popular na alta sociedade, hoje fiquei popular entre o povo mesmo. Acho um barato, entro na loja, me param, me olham, me perguntam. Já ouvi: ‘Puxa, você é mais bonita do que nas fotografias’. ‘Você é bem melhor nas fotos’. Precisa ver as cartas, tem de todo o tipo, até de uma freirinha de 90 anos. Nas palestras, os homens que perguntam mais. Outro dia um se levantou e perguntou: ‘Vou receber em minha casa uma moça muito bonita, o que devo fazer para recebê-la bem? ’. E eu: ‘Com a dificuldade de homem, hoje em dia, e com o teu físico, não se preocupe, jogue o charme que já chega’.

CONTRA A SEPARAÇÃO
Meu plano não era o casamento. Fiquei noiva várias vezes, em todas eu pá, desmanchava, não estava a fim de casar. Conheci o Tony, namorei e casei rapidíssimo. Ele era um bonitão fora de série, simpático, divertido e finalmente quando vi estava apaixonada e felizmente assim continuo. Enfim, a gente se deu bem, porque como ele sempre detestou tudo que eu gosto e eu também não gostava de quase nada que ele gosta, deu para a gente se entrosar. Casamento para mim é sagrado. Sou contra separação. Literalmente contra! Agora está na moda, os homens vão ficando mais velhos, um belo dia chegam e simplesmente dispensam a mulher. É a única coisa em que a Igreja Católica não me influenciou. Ninguém pode dizer que nunca me separei porque sou católica ou por causa dos meus filhos. Nunca me separei porque não tenho estofo para ser Elizabeth Taylor. Porque se você começa, não para! E a gente vai se casando, casando. Jamais iria aturar uma ex-mulher de não sei quem, um ex-marido, filhos de um, filhos de outro. Não tenho cabeça para isso, quero tudo à minha moda. Muitos problemas vêm atrás da separação. Todas as manhãs quando acordo, a primeira coisa que faço é lustrar minha auréola. Graças a Deus, tive filhos fora de série, consegui educar bem os dois, Antonia e Antenor. O Tony é um bom marido. Morei 22 anos em Paris, ele morava entre Rio e Paris, ia um pouco para lá, onde eu ficava fixa, fazendo na vida o que literalmente adoro: exposições, museus, ir a palestras sobre porcelana e quadros, enfim, tudo sobre arte.

CARMEM AVÓ
Quantos netos você tem?
Cinco. Neste mês nasceu minha segunda neta, filha de Antenor. A minha filha tem três filhos, dois meninos e uma menina, e meu filho tem um filho e uma filha. Sou muito ligada à família, sempre que posso sair com meus filhos, com alguém, eu saio. Férias dos meus netos, eles estando no Rio, passo com eles, vou à matinê, ao teatrinho.

RIO E SÃO PAULO
À noite, saio pouco. Primeiro, porque adoro televisão, sigo novela, igual a qualquer pessoa. Adoro, tem uns programas de TV que não perco de jeito nenhum. Adoro Roda Viva. Vou a um jantar, de preferência pequeno. Aos grandes, vou cada vez menos. Este ano, lembro-me de ter posto um vestido e o Tony ter posto o black-tie, nesse baile que houve no Museu de Belas Artes. Foi uma maravilha de festa, internacional. Engraçado, a única mulher que tinha joias fantásticas era de São Paulo, era paulista. Muito diferente a vida de São Paulo e Rio. Não tem nada a ver, são dois mundos completamente diferentes.

FUMO E ÁLCOOL
Tem duas coisas: todo mundo bebe, eu nunca fui de bebida. Todo mundo fuma, eu nunca fumei.

RECEBER
Carmen: Hoje, em cada dez almoços, nove são em restaurantes. Em cada dez jantares, nove são em restaurantes. Porque custa um terço do preço. Receber fora é muitíssimo mais barato do que receber em casa. Uma grande parte das pessoas está com problemas financeiros e a maioria tem medo de se expor, se exibir.

O QUE É ELEGÂNCIA
Elegância é o modo de vida. Ela não tem nada a ver com a mulher bem vestida. Qualquer mulher que tenha um dinheiro relativo, vai a Paris, encomenda dez vestidos na alta-costura, compra sapatos, faz tudo e estará bem vestida. Obviamente ela pode errar, pode colocar um colar que não tem nada a ver com a roupa, mas olhando, você tem a impressão de que ela está bem vestida. Elegância, para mim, é o modo de vida. A elegante, é a que se veste para ela, a que é clássica. Me perguntam sobre esses estilistas modernos, nem sei o nome deles, acho tudo uma coisa engraçada. Se eu tivesse 18 anos, com certeza ia usar, porque a madame Grés, que foi uma das maiores costureiras do mundo, já fazia tudo que Versace faz hoje. Muita gente me diz: ‘Ah, você se veste cheguei’. Eu respondo: ‘Não me visto cheguei, eu sou cheguei’. Tenho quase dois metros, esse cabelo todo, um nariz desse tamanho, e me visto super clássica. Posso usar um tailleur que encomendei há 20 anos, ou um que eu comprei ontem, eles são iguais. Tive um vestido que usei num baile em Paris, em Nova York e na posse do presidente Figueiredo, aqui. Tive de aposentá-lo, porque era tão maluco que não tinha chance. Se eu quisesse usá-lo hoje, seria banal, mas para a época foi um escândalo.

MULHERES BONITAS
Bonita? Bonita é a Vera Fischer, a Teresa Collor. Bonita é minha filha, absolutamente hors-concours, e ela é o contrário da mãe, sempre detestou sair, detestou aparecer.

PERUA, BREGA, CAFONA
Para mim, tudo é a mesma coisa. Não sei definir exatamente, mas quando olho, vejo o que é, sei que é brega, perua, cafona. É se embonecar demais, colocar além da medida, não saber parar na hora certa.

JUÍZA DE SI MESMA
Todo mundo vai ficando mais velho, os valores vão mudando. Sou das poucas que, eu acho, vão continuar bem velhinha, mas bem alta, vou fazer o que sempre fiz, porque gosto disso. Dizem que sempre procurei provocar, causar uma sensação de espanto. Nunca me interessei em causar nada. A única juíza a meu respeito sempre fui eu mesma.

Pierre Bergé: “Yves Saint Laurent se aposentou e morreu na hora certa”

MODA / POR SARAH LEE
Pierre Bergé: “Yves Saint Laurent se aposentou e morreu na hora certa”
Pierre Bergé fotografado pelo TheTalks.com ©Reprodução
A revista online The Talks publicou uma ótima entrevista com Pierre Bergé, em que o sócio e companheiro de longa data de Yves Saint Laurent (1936 – 2008) fala sobre a vida e o trabalho do estilista, que ele define como “artista” e como um dos designers de moda mais importantes do século 20 — “Chanel deu liberdade às mulheres; eu acho que Saint Laurent lhes deu poder”, ele afirma. A entrevista é extensa, mas vale a pena ler para ter um acesso muito particular a temas como a bem-sucedida dinâmica de trabalho Bergé-Laurent, a evolução da moda, e a genialidade e inquietude de Saint Laurent. Confira o texto traduzido na íntegra:
Sr. Bergé, é verdade que o senhor conheceu Yves Saint Laurent pela primeira vez no funeral de Christian Dior, em 1957?
Bem, você pode nos ver em uma foto que mostra os convidados de luto, mas na verdade eu o conheci no dia 3 de fevereiro de 1958, durante um jantar organizado por Marie-Louise Bousquet. Eu fui parabeniza-lo alguns dias depois que sua primeira coleção na Dior foi apresentada. Seis meses depois estávamos morando juntos.
E o que foi marcante para o senhor a respeito desse encontro?
Eu não sabia muito sobre moda na época. Eu era um amigo muito próximo de Christian e de alguns outros mestres da alta-costura como Balenciaga, mas para mim, moda não era arte. Aos meus olhos, era só algo para ganhar dinheiro. Mas na manhã desse primeiro desfile dele na Dior, entendi que uma coisa havia acontecido comigo. Percebi que eu era estúpido. Eu amei o que vi e simplesmente soube que Yves Saint Laurent seria um grande designer de moda.
Depois que Yves Saint Laurent foi demitido da Dior por causa do serviço militar na Argélia, o senhor fundou a grife homônima com ele e atuou como o CEO por mais de 40 anos, uma parceria muito longa e bem-sucedida.
Tínhamos um Muro de Berlim entre nós. Eu nunca interferi em seu design criativo por motivos comerciais, e ele nunca veio falar comigo sobre dinheiro. Nenhuma vez.
O dinheiro não era importante para Yves Saint Laurent?
Não. Porque ele confiava em mim e também, claro, porque ele sabia que tinha dinheiro. Mas ele nunca sabia quanto ele tinha. Nunca. Dinheiro para ele era uma coisa estranha.
Talvez esse tenha sido o motivo pelo qual vocês acabaram tendo uma incrível coleção de arte. Vocês podiam simplesmente comprar qualquer coisa que gostavam sem pensar duas vezes?
Bem, não era tão fácil, não no comecinho. Quando começamos nosso negócio, não tínhamos dinheiro, mas mais tarde o dinheiro não era tão valioso a ponto de não o gastarmos em arte. Tínhamos muito orgulho da coleção que criamos.
O senhor a vendeu no maior leilão privado da história por € 373.500.000 (pouco mais de 853 milhões de reais). Por que o senhor a vendeu se ela era tão importante para vocês dois?
Quando decidi vender a coleção depois que Yves morreu, não foi só uma decisão nostálgica, mas também uma decisão monetária. Mas o dinheiro não era para mim. Como você deve saber, nós temos uma fundação [a Fondation Pierre Bergé – Yves Saint Laurent] que precisa de dinheiro e uma grande parte dessa venda foi para a fundação. Eu sou envolvido com muitas, muitas empreitadas, como a luta contra a AIDS, o apoio a teatros, e muitas outras coisas. Decidi vender a coleção principalmente por essa razão – para ter dinheiro para esses fins.
[O “leilão do século”, como o evento ficou conhecido, foi o ponto de partida para o documentário “L’Amour Fou” (2011), que durante o processo de produção acabou mudando o seu foco para um retrato intimista da relação entre Yves Saint Laurent e Pierre Bergé. Assista ao trailer]:
O senhor estava com ele no momento em que ele morreu?
Claro. Eu tinha decidido ir a Montreal por um fim de semana para visitar uma exibição quando recebi uma ligação do médico. Ele disse que era uma questão de talvez uma ou duas semanas. Antes e depois isso, fiquei sentado ao lado dele.
Ele tinha câncer no cérebro. Yves Saint Laurent sabia que a morte dele estava se aproximando?
De maneira alguma. Ele nunca soube. O médico me disse que não havia mais nada a ser feito e nós mutuamente decidimos que seria melhor para ele que ele não soubesse. Sabe, eu tenho a crença de que Yves não teria sido forte o suficiente para aceitar isso.
Como o senhor se sentiu quando ele não estava mais lá?
É tão difícil e quase impossível de descrever. Mas você também pode ter sentido isso em sua vida: é muito diferente se uma pessoa falece de repente, em um acidente ou AVC, ou após uma longa doença. Eu estava meio que esperando e isso me ajudou a estar preparado para essa grande perda.
O senhor se sente triste por não trabalhar mais com moda? Sente falta do aspecto do negócio desde que se aposentou com Yves Saint Laurent?
Não. Provavelmente porque a indústria da moda não é exatamente a mesma do passado. Eu não sou nostálgico – eu odeio nostalgia – mas estou feliz por não trabalhar nos negócios da moda hoje. Sinto muito te dizer isso, mas não é muito fácil trabalhar com revistas de moda agora.
Por quê?
Com Yves Saint Laurent, nós nunca falávamos de dinheiro, nunca relacionamos capas com publicidade, nunca conversávamos sobre isso. Nunca. Deixe-me dizer uma coisa: nós abrimos a Couture House em 1962, e em 1963 já estávamos em capas, com páginas internas inteiras. Você acha que isso é possível hoje? Mesmo com um novo Saint Laurent?
Será que Yves Saint Laurent odiaria a indústria da moda de hoje?
Claro! Yves se aposentou na hora certa e ele morreu na hora certa. Sinto muito te dizer isso, mas para mim é muito difícil entender o que aconteceu com os negócios da moda. É tudo uma questão de dinheiro e marketing. Nós nunca conversamos sobre talento – não é esse o ponto. Só falamos de vendas. Yves Saint Laurent teria odiado isso.
Qual o senhor diria que foi a maior conquista dele na moda? Especialmente nos anos 1960, Yves Saint Laurent e toda a empresa em torno dele realmente apontaram para uma nova direção.
Saint Laurent é, juntamente com Chanel, o designer de moda mais importante do século 20. Era uma época diferente de designers, uma época de grandes intelectuais. Eu já vi vestidos maravilhosos do Balenciaga e Christian Dior – mas a diferença entre aqueles designers de moda e Chanel e Saint Laurent é que eles permaneceram no campo estético. Saint Laurent e Chanel foram para o campo social – eles mudaram a vida de mulheres ao redor do mundo.
Por causa do que exatamente?
Chanel deu liberdade às mulheres; eu acho que Saint Laurent lhes deu poder. Podemos ver isso hoje, todos os dias.
Yves Saint Laurent e Pierre Bergé em dois momentos de sua longa parceria ©Reprodução
Todos o consideravam um gênio e ele se tornou cada vez mais intenso em sua maneira de trabalhar e viver. Por que o senhor acha que ele se viciou em drogas e álcool em meados dos anos 1970?
É muito difícil responder o que levou a esse vício. Mas tenho que admitir que Yves criou coleções maravilhosas usando drogas e álcool. Isso dificultou muito que ele parasse.
Ele estava sempre criando?
Sempre. Ele não prestava muita atenção em nada mais – ou ninguém mais. Marcel Proust explicou isso muito bem: ele disse que se você é um gênio, você está ocupado consigo mesmo – e é verdade. Voilà.
Yves Saint Laurent era frequentemente descrito como uma pessoa deprimida, e até em seu discurso de aposentadoria ele disse: “Eu passei por muitas angústias, muitos infernos; conheci o medo e uma solidão tremenda; os amigos enganadores que são os tranquilizantes e narcóticos; a prisão que pode ser a depressão e as clínicas de saúde mental”. Mas Yves Saint Laurent não foi uma pessoa que conquistou tudo? O que poderia faze-lo tão triste?
Acho que ele nasceu com depressão. E mais tarde ele sofreu com a fama porque percebeu que ela não lhe trouxe nada.
O senhor chamaria Yves Saint Laurent — aquele gênio admirado por tantos milhões — de uma pessoa trágica, no fim das contas?
Saint Laurent era um artista. E um artista sempre joga com sua realidade interna. Você tem que conhecer as regras do jogo — e eu conseguia lidar com isso muito bem. Tivemos muitos momentos felizes.
Quando ele era mais feliz?
Ele podia ser hilário entre amigos. Mas acho que ele ficava em seu estado mais feliz quando terminava uma coleção e recebia os aplausos e as ovações em pé. Depois disso a missão dele estava terminada. Era como um fogo de artifício — e então começava tudo de novo.

JACQUES LACAN

(1901 – 1981)

Jacques-Marie Émile Lacan nasceu em Paris, em 13 de abril de 1901, em uma família de fabricantes de vinagres de Orléans (os Dessaux) de sólida tradição católica e conservadora. Progressivamente, deixou de utilizar o nome Marie, que havia sido acrescentado ao seu nome em alusão à Virgem Maria. Seu pai, Alfred Lacan (1873-1960) era um homem de aparência fraca, atormentado pelo poder de seu próprio pai, Émile Lacan (1839-1915). Émilie Baudry (1876-1948), sua mãe, apresentava-se mais intelectual e muito dedicada à religião. Esse contexto familiar desagradava o jovem Lacan.

Lacan era o filho primogênito e teve três irmãos – Madeleine, Raymond e Marc-François. Na adolescência rompeu com o catolicismo e passou a dedicar-se, com afinco, à vanguarda literária – leu Baruch Spinoza, Nietzsche, Charles Maurras, os surrealistas e James Joyce. Foi assíduo freqüentador de livrarias e grupos de escritores e poetas. Como residente no Hospital Sainte-Anne, em Paris, orientou-se para a psiquiatria. Teve ilustres professores. Porém, um, em especial, deixou nele forte impressão: Gaëtan Gatian de Clérambault. Em 1932, iniciou sua análise com Rudolph Loewenstein. Essa análise durou seis anos e meio, tendo sido interrompida em função de forte desentendimento entre ambos. Embora estimado como um brilhante intelectual fora dos meios psicanalíticos franceses, Lacan não recebeu reconhecimento da Sociedade Psicanalítica de Paris (SPP), na qual seus trabalhos não eram considerados e seu anticonformismo causava irritação. Em 1934, casou-se com Marie-Louise Blondin (1906-1983) Malou. Com Malou teve três filhos – Caroline, Thibaut e Sibylle. A partir de 1936, após iniciar-se na filosofia hegeliana e participar de importantes grupos de grande riqueza cultural e teórica, concluiu que a obra freudiana devia ser relida “ao pé da letra” e à luz da tradição filosófica alemã. Em 1938, nutrindo forte sentimento de repugnância em relação ao triunfo do nazismo, chegou à conclusão de que a psicanálise nascera do declínio do patriarcado e argumentava a favor da revalorização de sua função simbólica no mundo ameaçado pelo fascismo. Antes disso, em 1937, apaixonou-se por Sylvia Maklès-Bataille (1908-1993), mantendo com a mesma um romance duradouro, apesar de ambos ainda permanecerem oficialmente casados com seus cônjuges legítimos. Em 1940, encontrava-se em uma situação delicada: Malou, sua esposa legítima, estava grávida de Sibylle (nascida em 26 de novembro de 1940) e Sylvia Bataille estava grávida de Judith, a quarta dos filhos de Lacan (nascida em 3 de julho de 1941). Judith foi registrada apenas com o sobrenome Bataille e só pôde usar o nome do pai em 1964. Essa circunstância viria a ser uma das determinações inconscientes da elaboração do conceito lacaniano de Nome-do-Pai. A união oficial de Lacan e Sylvia Bataille somente veio a ocorrer em 1953. Lacan denominou o começo de seu ensino de “retorno a Freud”. Apoiando-se na filosofia hegeliana, na lingüística saussuriana e nos trabalhos de Lévi-Strauss, retornou aos textos freudianos. Assim, tal aporte possibilitou a elaboração de suas concepções sobre o “significante”, o “inconsciente organizado como uma linguagem”, “simbólico, imaginário e real”, a “interdição do incesto” e o “complexo de Édipo”. Na Sociedade de Psicanálise de Paris (SPP), Lacan atraiu muitos alunos, fascinados pelo seu ensino e desejosos de romper com o freudismo acadêmico da primeira geração francesa. Em 1953, no auge da primeira crise na psicanálise francesa, acerca da questão da análise leiga e da duração das sessões, Lacan passou a integrar o grupo fundador da Sociedade Francesa de Psicanálise (SFP). Nesse momento deu início ao seu Seminário (quinzenal), comentando sistematicamente, ao longo de dez anos, os grandes textos freudianos. A partir de 1953, o grupo de fundadores da Sociedade Francesa de Psicanálise (SFP) iniciou negociações para a aprovação da SFP como filiada da IPA. Após muitas discussões e tentativas, o comitê executivo da IPA recusou a Lacan o direito de formar didatas. A segunda grande crise na psicanálise francesa deu-se em 1963. Um ano depois, a SFP foi dissolvida e Lacan fundou a École Freudienne de Paris (EFP). Em 1965, fundou a coleção Champ Freudien nas Éditions du Seuil e em 1966, publicou os “Escritos”. Diante do crescimento da EFP, Lacan criou o “passe”, novo procedimento de acesso à análise didática. Aplicado a partir de 1969, provocou a terceira crise da história do movimento psicanalítico francês. Foi criada a Organização Psicanalítica de Língua Francesa (OPLF) e iniciada uma crise institucional na EFP, o que resultou em sua dissolução em 1980 e, posteriormente, na dispersão do movimento lacaniano em cerca de vinte associações. Em 1974, Lacan dirigiu um ensino do “Campo Freudiano” no Departamento de Psicanálise da Universidade de Paris VIII. Sofrendo de distúrbios cerebrais e de uma afasia parcial, Lacan morreu em 9 de setembro de 1981, após a retirada de um tumor maligno no cólon.

Fonte: Aurea Chagas Cerqueira, membro do Instituto de Psicanálise Virgínia Leone Bicudo da Sociedade de Psicanálise de Brasília.

Charles Chaplin

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Chaplin: o gênio do cinema mudo
Chaplin: o gênio do cinema mudo

 

Chaplin nasceu em Londres no ano de 1889 e iniciou sua carreira como mímico, fazendo excursões para apresentar sua arte. Em 1913, durante uma de suas viagens pelo mundo, este grande ator conheceu o cineasta Mack Sennett, em Nova York (Estados Unidos), que o contratou para estrelar seus filmes.

Vida e obras 

Seu personagem mais famoso foi o vagabundo Carlitos, oprimido e engraçado, este personagem denunciava as injustiças sociais. De forma inteligente e engraçada, este grande artista sabia como fazer rir e também chorar.

Em 1918, no auge de seu sucesso, ele abriu sua própria empresa cinematográfica, e, a partir daí, fazia seus próprios roteiros e dirigia seus filmes. Crítico ferrenho da sociedade, ele não se cansava de denunciar os grandes problemas sociais, tais como a miséria e o desemprego. Produziu grandes obras como: O Circo, Rua de Paz e Luzes da Cidade.  Pelo filme O Circo, Chaplin ganhou em 1929 seu primeiro Oscar Honorário.

Adepto ao cinema mudo, o também cineasta, era contra o surgimento do cinema sonoro, mas como grande artista que era, logo se adaptou e voltou a produzir verdadeiras obras primas: O Grande Ditador (crítica ao fascismo), Tempos Modernos e Luzes da Ribalta.

Na década de 1930 seus filmes foram proibidos na Alemanha nazista, pois foram considerados subversivos e contrários a moral e aos bons costumes. Porém, na verdade, representavam uma crítica ao sistema capitalista, à repressão, à ditadura e ao sistema autoritário que vigorava na Alemanha no período. Mas o sucesso dos filmes foi grande em outros países, sendo traduzido para diversos idiomas (francês, alemão, espanhol, português).

Em 1965, publicou sua autobiografia, Minha Vida. Em 1972, Charles Chaplin foi premiado com o Oscar Honorário de melhor trilha sonora pelo filme Luzes da Ribalta.

Em 1977, o mundo perdeu um dos grandes representantes da história do cinema.

Filmografia de Chaplin (curtas e longas-metragens principais)

– O idílio desfeito -1914

– Carlitos, guarda noturno – 1917

– O imigrante – 1917

– Vida de cachorro – 1918

– Ombro, armas ou Carlitos na trincheira – 1918

– Os clássicos vadios – 1921

– O garoto – 1921

– Dia de pagamento – 1922

– Casamento ou luxo? – 1923

– Em busca do ouro – 1925

– O circo – 1928

– Luzes da cidade – 1931

– Tempos modernos – 1936

– O grande ditador -1940

– Monsieur Verdoux – 1947

– Luzes da ribalta – 1952

– Um rei em Nova York – 1957

– A revista do Carlitos – 1959

– A condessa de Hong Kong – 1967

 

Frases de Chaplin

– “Mais do que máquinas, necessitamos de humanidade”.

– “A persistência é o caminho do sucesso”.

– “Acredito que o pecado é realmente um mistério tão grande quanto a virtude”.

– “Eu tenho muitos problemas em minha vida. Mas meus lábios não sabem disto. Eles sempre sorriem”.

– “Um dia sem sorrir é um dia desperdiçado”.

Biografia de Ludwig van Beethoven

Ludwig van Beethoven (1770-1827) foi um compositor alemão. A “9.ª Sinfonia” foi a obra que o consagrou em todo o mundo. Em 1814, foi reconhecido como o maior compositor do século.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) nasceu em Bonn, Alemanha, no dia 16 de dezembro de 1770. Filho e neto de músicos, com apenas 5 anos, sob a orientação rígida do pai, começou a estudar cravo, violino e viola. Com 7 anos participou de um recital na Academia de Sternengass. Com diversos professores, estudou a obra de Bach, aprendeu a tocar órgão e piano e começou a aprender também composições e teoria musical. Com 11 anos foi nomeado organista-suplente da corte.

Com treze anos já era solista de cravo na corte de Bonn. Passou a receber a proteção do Príncipe Max Franz, governante de um dos 300 pequenos Estados que formavam o Império da Alemanha. Nessa época, publicou sua primeira obra: “Nove Variações para Piano sobre uma Marcha de Ernest Christoph Dressler”. Com 14 anos publicou “Três Sonatinas para Piano”.

Em 1787, com 17 anos, Beethoven seguiu para Viena onde foi recebido por Mozart, que lhe prevê um grande futuro. Em 1791, com apenas 21 anos, já desfrutava de prestígio junto a nobreza de Bonn, que não dispensavam em suas festas a presença do músico, que pouco frequentou a escola, mas havia cursado a universidade como ouvinte, para adquirir cultura.

Em 1792, Beethoven retorna à Viena, em definitivo. As cartas de apresentação lhe abriram as portas da nobreza local. O Príncipe Karl Lichnowsky o instalou no palácio e lhe pagava uma pensão. Os recitais constituíam o divertimento predileto da nobreza. As apresentações musicais limitavam-se quase a concertos nos palácios. Só em 1795, Beethoven fez sua primeira apresentação pública, quando executou um concerto para piano que foi delirantemente aplaudido. Logo em seguida publicou “Três Trios para Piano, Violino e Violoncelo, Opus 1”, dedicados ao Príncipe.

Em 1796, Beethoven se apresentou em Praga e em Berlim, onde cumpriu um extenso programa para a corte imperial, do qual constavam “Duas Sonatas para Violoncelo, Opus 5”, escrita especialmente para a ocasião. Em 1797, estava com 27 anos e crescente prestígio que atraía alunos e convites para recitais, que lhe proporcionava uma folga financeira, e lhe permitia vestir-se elegantemente e até ser sociável.

Em 1798 surgiram os primeiros sintomas da surdez, mas escondeu o problema de todos. Em 1800, foi o início do período mais brilhante da carreira de Beethoven, quando ele produziu as grandes sinfonias que lhe dariam imortalidade. Em 1824, apresentou pela primeira vez a “Sinfonia nº 9”. No fim da apresentação uma tempestade de aplausos saudou o gênio. Envelhecido e doente, o compositor já não se empolgava com o êxito e a repercussão de sua música.

Ludwig van Beethoven morreu em Viena, Áustria, no dia 26 de março de 1827.

Obras de Beethoven

Três Sonatas para Piano, Opus 2 (1797)
Trio em Mi Bemol, para Violino, Viola e Violoncelo, Opus 3 (1797)
Serenata em Ré, para Violino, Viola e Violoncelo, Opus 8 (1798)
Três Sonatas para Piano e Violino, Opus 12 (1799)
Sonata em Dó Menor para Piano, Opus 13 (1799) (Patética)
Duas Sonatas para Piano, Opus 14
Septeto em Mi Bemol, Opus 20 (1800) (Dedicado à Imperatriz Maria Teresa da Áustria)
Sinfonia n.º 1 em Dó Maior, Opus 21 (1800)
Concerto n.º 3, em Dó Menor, para Piano e Orquestra, Opus 37 (1800) (Dedicado ao Rei Luís Fernando da Prússia)
Sonata Quase uma Fantasia, Opus 27 n.º 2 (Sonata ao Luar)
Sinfonia n.º 2 em Ré Maior, Opus 36
Sinfonia n.º 3 em Mi Bemol Maior, Opus 55 (1805) (Heroica) (Título original “Sinfonia Grande – Titolata Bonaparte” (Ao saber que Napoleão se fizera imperador dos franceses, trocou o título para “Sinfonia Eroica”)
Ópera Fidelio (1805)
Sinfonia 4, 5 e 6 (Pastoral)
Sonata em Fá Menor, para Piano, Opus 57 (1808) (Appassionata) (Representou o rompimento dos últimos elos que o ligavam ao classicismo e a adoção da linguagem emotiva que caracterizou a época romântica)
Concerto n.º 5, para Piano e Orquestra, Opus 73 (1809) (Imperador)
Sinfonias n.º 7 e n.º 8 (1812)
Sonatas para Piano, Opus 106, 109, 110 e 111 (1822)
Missa Solene em Ré Maior, Opus 123 (1823) (Obra gigantesca em valor musical e em duração)
Sinfonia n.º 9, Opus 125 (1824) (Coral) (Escrita quando já estava totalmente surdo)
Quartetos para Cordas, Opus 127, 130, 131, 132 e 135 (1825) (suas últimas composições)

Fonte: e-biografias.

Einstein : uma biografia resumida.

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CULTURA DA QUÍMICA

 

Albert Einstein nasce a 14 de março de 1879, em Ulm, velha cidade de Souabe, no sudoeste da Alemanha. Tão longe quanto pode alcançar sua memória, seus ancestrais paternos e maternos aí viveram. Seus pais transmitem a ele o amor pela música e pela natureza, além de uma abertura de espírito e tolerância, típicos dos Souabes. Daí vem a aversão de Einstein pelo militarismo prussiano e pela aprendizagem mecanizada.

A mais antiga fotografia de Einstein conhecida atualmente.

Einstein passa sua infância em Munique. Ainda muito jovem, prefere lançar-se em seus sonhos a ir brincar como as outras crianças. Dos 10 aos 18 anos, estuda no Luitpold Gymnasium, em Munique. Abandona seus estudos e vai ter com sua família na Suíça, onde arte, música e lógica ocupam um lugar de destaque.

Mas Einstein deve prosseguir seus estudos. Após um ano passado na escola cantonal da cidade de Aarau, na Suíça, obtém um diploma que lhe permite ingressar na Escola Politécnica, de Zurique, escola que influencia sobremodo seu desenvolvimento intelectual, pois é aí que nasce seu interesse pela física.

Em 1901, torna-se cidadão suíço. Pouco depois, consegue um emprego no Bureau des Brevets, em Berna, onde desenvolve essa excepcional faculdade de depreender imediatamente a conseqüência de cada nova hipótese. Embora ainda ocupando esse emprego, em 1905 publica a primeira memória de uma longa série, em que formula sua teoria da relatividade. Revoluciona o pensamento físico e distancia, com o mesmo golpe, a física newtoniana.

Albert Einstein, em 1912.

Em 1909, na Universidade de Zurique, inicia a carreira para a qual estudara: é nomeado professor. Em 1910, dá aulas na Universidade de Praga, na Áustria e, em 1912, na Escola Politécnica de Zurique. De 1913 a 1933, é responsável pela pesquisa científica da Academia de Berlim e do Instituto Kaiser Wilhem, em Berlim.


Albert Einstein, em 1931.

Além dessas atividades científicas, Einstein se envolve socialmente em várias causas. Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha hitleriana procura bodes expiatórios, e os encontra sobretudo nos judeus. Einstein se alia à causa dos judeus, em parte para estabelecer uma universidade israelita em Jerusalém, e porque ele mesmo é judeu. Toda sua vida faz ressaltar seu caráter pacifista, e sente amargamente que suas equações tenham permitido a criação de armas nucleares.

Após as agitações políticas na Alemanha, Einstein se estabelece nos Estados Unidos, com sua segunda esposa, onde ocupa um cargo no Instituto de Estudos Superiores, em Princeton.

Albert Einstein, em Princepton.

Em 1940, obtém a cidadania americana. Durante toda sua vida defende suas convicções e, com seu humor familiar e sua simplicidade, coloca-se acima de todos os problemas.


Albert Einstein, em 1945.

Morre em 18 de abril de 1955, conseqüência de uma perfuração da aorta.


O último quadro-negro com anotações de Einstein.

Deixa doce e tranqüilamente esse mundo estranho, para o qual grandemente contribuiu para compreender e mudar.

Nota do Managing Editor: o texto desta biografia é fruto de compilação da Editoria do LQES Website, baseada em material existente na Internet, em diferentes línguas.

As fotos foram obtidas em
http://www.th.physik.uni-frankfurt.de/~jr/physpiceinstein.html.