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EMILIO PUCCI.

Foto de Laudomia Pucci.

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EMILIO PUCCI

Nascido em 1914 para uma das famílias mais ilustres de Florença, o marquês Emilio Pucci di Barsento incorporou naturalmente o jato de glamour da Itália pós-guerra. Multilingual, bem-viajado, educado americano, piloto da força aérea, esquiador olímpico e aristocrata – ele era um homem renascentista em todos os sentidos do termo. Recuperando-se na Suíça após a guerra, e com a economia italiana em ruínas, Pucci chegou ao fim ao ensinar italiano e dar aulas de esqui em Zermatt. Foi lá que, em 1947, uma roupa de esqui aerodinâmica que ele projetou, inicialmente para si mesmo e, em seguida, para seus entusiastas amigos de socialidade foi fotografada por um fotógrafo de moda e publicada no Harper’s Bazaar USA, dando origem a um fenômeno da moda que continua a reverberar até hoje.

Pucci foi impulsionado pelo desejo de libertar as mulheres, concedendo-lhes liberdade de movimento sem precedentes.

Configurando seu atelier no grande palácio da família Pucci no coração de Florença, Emilio começou a trabalhar em estreita colaboração com os fabricantes de tecidos experientes na Itália para fabricar tecidos revolucionários pioneiros e patenteados que evitavam as fabulações pesadas e rígidas em grande parte em circulação naquela época. Contrariamente ao seu design contemporâneo, Pucci foi impulsionado pelo desejo de libertar as mulheres, concedendo-lhes liberdade de movimento sem precedentes. Suas moletadas de seda e algodão eram precursores sem peso, sem revestimento e à prova de rugas para um armário moderno e amigável para viagens que cativava uma nova geração de mulheres modernas e ativas.

Sua primeira boutique foi La Canzone del Mare na ilha de Capri, até mesmo um destino turístico fascinante, onde desenvolveu roupas esportivas elegantes e elegantes: calças “Capri”, camisas de sarja de seda com corte masculino aberto sandálias com toboé e tops de listrada, tudo em cores refrescantes e vibrantes que provocaram a beleza natural da ilha.

Seus projetos apresentavam linhas sensuais e de fluxo livre que seguiam as curvas naturais do corpo – roupas sem esforço que levavam as mulheres do dia para a noite …

Ele começou a mostrar suas coleções para a imprensa internacional e os compradores em Florença, em 1951. Seus projetos apresentavam linhas sensuais e fluidas que seguiam as curvas naturais do corpo – roupas sem esforço que levavam as mulheres do dia para a noite e dos jatos ao coquetel à beira-mar festas, complementando perfeitamente o estilo de vida da multidão de alta rotação. As coleções tiveram o fascínio da alta costura, mas foram derramadas pela impraticabilidade e pelo custo da alta costura, anunciando o conceito inovador de designer pronto a usar, que teve um efeito em cascata em toda a indústria da moda.

Além disso, Emilio ofereceu uma visão de design holística que variava para interiores, lingerie, óculos, perfumes e muito mais, proporcionando um grupo expandido de consumidores com acesso aos produtos de grife pela primeira vez. Ele também emprestou seu talento de design a uma variedade de projetos não-moda, incluindo, entre outros, uniformes futuristas da companhia aérea, o logotipo para uma missão espacial e um carro de luxo.

Como colorista, ele era incomparável e inspirava-se principalmente nas paisagens naturais do Mediterrâneo, mas também nos locais exóticos para os quais ele viajava.

Foi durante os anos 50 que Pucci começou a desenvolver suas impressões de assinatura: desenhos gráficos e abstratos inspirados pelo mundo ao seu redor – mosaicos sicilianos, bandeiras heráldicas, Bali Batiks e motivos africanos. Foi a primeira vez que tais padrões geométricos pulsantes foram incorporados na roupa e o efeito foi muito original, tanto que a imprensa internacional da moda, ferida por sua abordagem negativa e radical, o coroou “O Príncipe das Impressões”. Cada impressão era como uma obra de arte nascida sobre uma tela de seda, emoldurada com uma borda decorativa e assinada em nome do artista – “Emilio”. Ele trouxe uma paleta de cores luscious e brilhante para o seu ofício. Como colorista, ele era incomparável e inspirava-se principalmente nas paisagens naturais do Mediterrâneo, mas também nos locais exóticos para os quais ele viajava. O resultado foi uma sofisticada fusão de cor que se tornou a marca do design Pucci. Instantaneamente reconhecíveis, as combinações gloriosas e alegres de Pucci exalam energia e emoção e permitem que os projetos das roupas se mantenham relativamente simples.

Na década de 1980, a filha de Emilio, Laudomia Pucci, tornou-se cada vez mais envolvida no negócio de seu pai, finalmente assumindo as rédeas após sua passagem em 1992. Em abril de 2000, formou-se uma aliança entre a família Pucci e a LVMH, com o grupo de luxo francês adquirindo 67 % da empresa e da família mantendo um interesse adquirido. Com o apoio e a experiência financeira do Grupo, a marca aumentou no cenário da moda internacional e, em um tempo relativamente curto, construiu uma rede global que agora inclui mais de 50 boutiques em capitais de moda globais e uma pegada nos mais importantes varejistas de luxo do mundo.

… A marca subiu no cenário da moda internacional e em um tempo relativamente curto construiu uma rede global que agora inclui mais de 50 boutiques …

A visão pioneira do fundador Emilio continua hoje através das coleções de pronto-a-vestir e acessórios, bem como através de projetos especiais. A linha de produtos Emilio Pucci inclui vestuário, bolsas, artigos de couro pequenos, calçados, óculos, roupas de praia e acessórios de seda. Nos últimos anos, tem visto o nascimento de iniciativas de co-branding com Guerlain e Veuve Clicquot, licenças com Rossignol, Wolford, Parfums Luxe e Bisazza e criações artísticas de alto impacto, como um gennaker pintado à mão de 300 pés para iates Wally e o envolvimento do Baptistery de Florença com uma cópia de arquivo de tamanho gigante criada em sua homenagem.

Uma influência importante na moda contemporânea, o legado de Emilio Pucci continua a ser uma força seminal por trás do nascimento do estilo “made in Italy” e um marco no conceito de moda esportiva de luxo da Itália.

A roupa de esqui aerodinâmica projetada em 1947 que chamou a atenção da imprensa de moda americana.

Os projetos de Pucci apresentavam linhas sensuais e fluidas que seguiam as curvas naturais do corpo.

Emilio instalou seu atelier no grande palácio da família Pucci, no coração de Florença.

Emilio Pucci Resort 2017.

A marca Emilio Pucci é famosa por impressões de assinatura, combinações de cores alegres e modas de luxo “feitas na Itália”.

Twenty Four Seven – uso e amo!

Temos como missão transmitir confiança e comprometimento trazendo a cada coleção escolhas conscientes e traduzindo através de roupas e acessórios o que as mulheres Twenty Four Seven desejam e necessitam. A Twenty Four Seven é uma marca que segue um viés clássico nas cores, na qualidade da matéria-prima e nos acabamentos e tem acento trendy nas formas, nas estampas e na edição de looks. Feita para todas as mulheres “nonstop” que existem dentro de cada uma. Essa mulher não tem idade, tem atitude sofisticada e simplicidade nas ações. Ela sabe ser chique e simples ao mesmo tempo, e o nosso objetivo como marca é fazer com que a Twenty Four Seven inspire todas as mulheres e as ensine a ter um lifestyle “simple n´chic”, como a assinatura da marca.

Sobre Raphael Sahyoun

Para quem o conhece, dispensamos apresentações. Para quem teve ou tem oportunidade de trabalhar ao seu lado, uma única certeza: a paixão pela moda. A vida para ele só vale a pena quando ele se conecta, cria e compartilha com o mundo o seu melhor. Não é o dinheiro que o move, o que o trouxe de volta é o sentimento mais elevado de fidelidade e comprometimento em busca de suas verdades.

Ele encontra na estética e no belo, o real significado para a sua vida. Traz o seu melhor em tudo o que faz, tem criatividade efervescente e, como faz o que acredita, apresenta sempre as melhores soluções, os melhores resultados. Temos a oportunidade (e sorte!) de aprender todos os dias com ele. Para ele, só faz sentido se as pessoas estiverem trabalhando felizes ao seu redor. E nós trabalhamos muito felizes. Ao lado dele, fazemos o que acreditamos, há espaço para nos movimentar, para nos expressar, para edificar nossas ideias, para crescer. Para ele não existe não. Para ele sempre falamos sim. Ele sempre nos mostra um novo olhar , uma nova maneira de fazer. E fazemos o que nós acreditamos movidas também pelo sentimento mais elevado que existe, que é o amor.

Todas as estações tem seus encantos, mas o verão possui algo especial: as festas de final de ano, as tão sonhadas férias, tudo fica mais colorido, mais divertido, o sol está mais próximo da Terra, os dias são mais longos, a pele fica mais bronzeada, acontecem as grandes paixões, as mais loucas aventuras.

A Twenty Four Seven foi buscar inspiração para a coleção de verão 2018 na Bahia, nas areias da praia de Itacaré, no Txai Resorts, que foi palco de tudo e nos embalou de sol a sol  com seu conceito simple n’ chic, que é o que nos move a cada estação. Estampas florais gigantes e miúdas, cashmere revisitado, geométricos com formas encontradas nas areias da praia e a de lenço com inspiração indígena se misturam as listras e bolinhas bicolores e criam um mood mix and match, onde tudo é permitido. Cores mais ácidas, lima, melancia, papaya e carbono se juntam ao branco, off white, nude e ao chocolate. Nas formas também não há lei, super pantalonas, comprimentos curtos, mídis ou longos, cintura no lugar permitindo partes de cima cropped, babados e laços realçando a constante feminilidade presente nessa coleção. Tecidos de fibras naturais como seda, linho, tencel e viscose se somam a macramês, rendas, bordados manuais rústicos e de pedrarias. Tricots com fios de lurex, tie dye e de algodão fazem de vestidos, saias e blusas opções para serem misturados com outras peças e seguem  como ponto forte da marca, assim como a alfaiataria clássica, jeanswear descolado e a itens de estilo comfy em malha e tecido plano. Um bloco de peças brancas , prata e dourado com texturas e volumes diferenciados anunciam o Ano Novo e nos levam para qualquer festa do planeta. Acessórios coloridos nas bolsas de plush e de palha, cintos, sandálias e rasteiras de couro se misturam a colares e pulseiras de metal ouro envelhecido, penas, cordas, miçangas, acrílico e pedrarias , criando volumes felizes na finalização dos looks. “Que o sol banhe nosso corpo, o mar lave nossa alma e os ritmos da estação aqueçam nossos corações”.

Sandra de Souza Silva | Diretora Criativa

 

A vida extraordinária da ‘Lady Gaga do século 19’.

A vida extraordinária da ‘Lady Gaga do século 19’.

Dizem que ela andava por Veneza à noite com seus leopardos de estimação e completamente nua por baixo de um casaco de pele: Luisa Casati era uma excêntrica e uma pioneira, segundo sua biógrafa.

Em abril de 1917, três anos antes da 1ª Guerra Mundial, Pablo Picasso foi a um jantar oferecido pela herdeira Marquesa Luisa Casati em Roma. “Era um contraste tão absurdo com a Paris abalada pela guerra que Picasso havia acabado de deixar que ele manteve uma memória visual muito detalhada daquilo pelo resto de sua vida”, escreveu Judith Mackrell em seu novo livro The Unfinished Palazzo (“O Palácio Inacabado”, em tradução livre).

Retrato de Luisa Casati
Retrato de Luisa Casati

Foto: BBCBrasil.com

“Quarenta anos depois, o pintor ainda se lembrava dos lacaios jogando peças de cobre nas lareiras da sala de jantar para que as labaredas ficassem verdes, da jiboia gigantesca que se enrolava em espirais de ouro em um tapete de pele de urso polar e, sobretudo, da aparência impressionante da própria Luisa, em um vestido bordado de pérolas com um colar elizabetano no pescoço e um decote que chegava até o umbigo”.

Nascida em Milão em 1881 e órfã aos 15 anos, Luisa Casati se tornou uma figura envolvida em lendas tão elaboradas quanto as roupas que usava.

Extremamente tímida, ela tinha uma coleção de bichos de estimação que incluía uma jiboia que ela usava em seu pescoço, papagaios brancos treinados para se empoleirar em sua janela e um bando de pássaros melros albinos pintados de diferentes cores para combinar com os temas de suas festas.

Ela encomendava ao estilista do Balé Russo peças de roupa ainda mais ousadas – uma das mais famosas era feita de pequenas lâmpadas elétricas que entraram em um curto-circuito e lhe deram um choque elétrico tão forte que ela deu um salto mortal.

A marquesa também era fascinada por ocultismo, carregava bolas de cristal e colecionava réplicas de cera de si mesma, incluindo uma em tamanho real com uma peruca feita de seu próprio cabelo. Ao receber pessoas para jantar, ela colocava a réplica sentada ao seu lado e, sob a luz turva de velas, seus convidados não sabiam qual era a verdadeira Luisa.

Retrato de Luisa Casati
Retrato de Luisa Casati

Foto: BBCBrasil.com

Casati impressionava fisicamente e realçava suas características de uma maneira pouco comum, como descrito em um perfil seu publicado na revista americana The New Yorker em 2003.

“A marquesa era muito alta e cadavérica, com uma cabeça em forma de punhal e um rosto pequeno e feroz que era inundado por olhos incandescentes. Ela iluminava as pupilas com beladona (planta que tem efeitos psicoativos) e escurecia seus contornos com tinta kajal (antiga tinta para o contorno dos olhos), colando uma franja curta ou cílios falsos e faixas de veludo preto às pálpebras”, escreveu Judith Thurman em um artigo ilustrado por Karl Lagerfeld, um fã de Casati.

“Ela usava um pó branco cor de fungo no rosto e pintava seu cabelo de maneira que parecesse uma coroa de chamas. Seus contemporâneos não conseguiam decidir se ela era uma vampira, uma ave do paraíso, uma andrógina, uma deusa, um enigma ou uma lunática.”

Licença poética

Ainda assim, Casati não era só uma excêntrica exibicionista, como diz Mackrell em seu livro. Suas festas – e as fantasias que usava nelas – não eram apenas um evento social, mas performances coreografadas. Ela queria ser “uma obra de arte viva”.

A herdeira “viveu os períodos da decadência da belle époque e do início do modernismo em relaçãi à arte que apreciava e à maneira como queria se apresentar “, diz Mackrell à BBC Culture.

O poeta Ezra Pount imortalizou seu jeito de pavoa no seu poema épicoThe Cantos e o fotógrafo Man Ray a descreveu como “uma versão surrealista da Medusa” porque ela não conseguia parar de mexer ao posar para ele.

Casati amava tanto o retrato borrado feito por Man Ray, no qual ela aparece com três pares de olhos, que ela o enviou a todos os seus amigos, incluindo ao seu amante Gabriele d’Annuzio.

A roupa que eletrocutou Casati era em si uma obra de arte: as lâmpadas estavam no topo de centenas de flechas que furavam uma armadura prateada e, ao adotar a tecnologia moderna, queria mostrá-la como parte dos futuristas (um grupo de artistas que adotavam a nova era das máquinas).

Outra roupa, usada em 1924 no Baile de Beaumont em Paris (um evento com uma lista de convidados tão restrita que Coco Chanel foi excluída por ser muito ‘comercial’), era uma homenagem a Picasso e aos cubistas. Feita inteiramente de fios e luzes, era muito larga para a entrada do baile: o artista Christian Bérar, que presenciou a tentativa de Casati de se espremer pela porta, diz que ela caiu como “um zepelim esmagado”.

Retrato de Luisa Casati
Retrato de Luisa Casati

Foto: BBCBrasil.com

A italiana inspirou pintores e escultores tanto como musa quanto como tema. O líder dos futuristas, Filippo Tommaso Marinetti, disse que ela manteve seu movimento avant-garde vivo durante a 1ª Guerra Mundial e rededicou um de seus primeiros autorretratos “à grande futurista Marquesa Casati, com os olhos lânguidos e satisfeitos de uma pantera que acabou de devorar as grades de sua jaula”.

Casati posou para Giovanni Boldini, que havia pintado o compositor Giuseppe Verdi, a atriz Sarah Bernhardt e o pintor James Whistler. Quando seu retrato foi revelado em Paris em 1909, o jornal Le Figaroelogiou a intensidade de sua “aparência de bruxa”. Ela também foi pintada por Augustus John e Jacob Epstein a esculpiu em bronze.

Tudo isso, é claro, a colocava nas páginas de fofoca. “Por mais malucas que algumas de suas atitudes fossem, e extravagantes e sem sentido, o que eu amo nela é que não havia vulgaridade nelas – havia uma pureza em seu desejo de ser uma peça de arte e nada mais”, diz Mackrell.

“Apesar de ela adorar chamar a atenção, isso era como oxigênio para seu trabalho. Ela se enxergava como um ator ou um diretor de teatro que precisava de um público, não era uma busca de se tornar celebridade”. As fofocas aumentavam seu status de patrona da arte.

“Se você pintasse seu retrato ou se ela comprasse uma peça sua, isso lhe dava muito prestígio”, afirma a biógrafa.

Retrato de Luisa Casati por Giovanni Boldini
Retrato de Luisa Casati por Giovanni Boldini

Foto: BBCBrasil.com

E Casati alimentava essa mitologia, apesar de as lendas sobre ela terem tornado sua biografia caótica. Os rumores sobre ela aumentavam seu misticismo, mas também a escondiam.

“O desafio de escrever sobre ela era tentar descobrir quem era a mulher por trás dessa série extraordinária de mitos, histórias, rumores e fofocas”, diz Mackrell.

“Era muito frustrante porque havia tão poucos registros de sua voz em forma de diários ou de cartas que foi necessário um mergulho nas evidências, e comparações de algumas das histórias fabricadas com outras versões do mesmo episódio para tentar chegar ao que parecia a versão mais plausível da verdade.”

Fofocas

Mas, talvez, a ideia não seja essa: Casati gostava daqueles que transformavam seus excessos e sua decadência em uma verdade enfeitada.

Dizem que ela caminhava por Veneza à noite com seus leopardos de estimação e completamente nua por baixo de um casaco de pele. E que muitos de seus criados morreram depois de serem cobertos de tinta dourada tóxica.

Um rumor, de que ela encomendou réplicas de cera dentro das quais guardava restos cremados de ex-amantes, era estranhamente parecido com uma história sobre sua heroína de adolescência, a princesa italiana Cristina Trivulzio.

Trivulzio, que também foi escritora e jornalista, era conhecida por seus rituais bizarros de luto por seus amantes mortos e tinha semelhanças com Casati. Era uma criança introvertida que herdou uma fortuna e não conseguia se encaixar na sociedade.

A marquesa chegou a tentar contatar o espírito de Trivulzio e deu seu nome à sua filha Cristina. Talvez as semelhanças fossem além do que ela havia percebido. Como diz Mackrell em seu livro The Unfinished Palazzo(sobre o palácio veneziano em que Casati deu alguma de suas noitadas mais espetaculares),”Trivulzio era na verdade uma mulher impressionante, uma feminista do século 19, uma pensadora livre, uma escritora e uma ativista política” – e ainda assim ela só ficou famosa pelos “rumores necrófilos envolvendo sua vida sexual”.

Casati pode ter alimentado de propósito as histórias sobre o que ela fazia ou vestia – o que incluia um vestido de plumas de garça que mudavam de cor conforme ela se mexia, uma grinalda de penas de pavão com o sangue de uma galinha recém-morta e, numa viagem ao Grand Canyon, nos EUA, calças de pele de leopardo, um sombreiro e um véu de renda.

Suas performances zombavam das convenções e eram também uma tentativa de chocar. “Tudo a respeito ela era surpreendente – ela parecia viver sua vida de acordo com regras sociais, emocionais e visuais diferentes das de todo mundo”, diz Mackrell.

Retrato de Luisa Casati
Retrato de Luisa Casati

Foto: BBCBrasil.com

“Eu fiquei interessada na maneira como mulheres podiam ser excepcionais ou livres naquela época… viver a vida com suas próprias regras em vez daquelas ditadas pelos homens com quem se casavam ou dos pais com quem ficavam em casa”, diz ela.

“Ela conseguiu se tornar essa criatura memorável por causa de sua riqueza, mas também pelo fato de que a sociedade estava começando a mudar no final do século 19, começo do século 20 – havia fendas se abrindo que permitiam a uma mulher como ela fazer algo extraordinário também – talvez mais cedo ela tivesse sido reprimida.”

Vestido chocante

Mackrell compara Casati à cantora Lady Gaga, que também superou a timidez com “transformações extraordinárias em sua aparência, vestido e maquiagem, de modo a criar uma persona para viver confortavelmente no mundo”.

No entanto, o efeito chocante da aparência de Casati foi maior por causa do período em que ela viveu. “O contexto ainda tinha normas sociais e comportamentais tão rígidas que talvez fosse possível ser ousada de uma forma mais pura.”

Retrato de Luisa Casati
Retrato de Luisa Casati

Foto: BBCBrasil.com

Os acontecimentos históricos – e seus gastos desenfreados – levaram Casati à falência. “A crise de Wall Street nos anos 1930, que explodiu a bolha dos anos 1920, acabou completamente com ela”, diz a biógrafa.

Casati devia milhões de dólares e foi forçada a vender todas as suas propriedades. Depois disso, ela se mudou para um apartamento de um quarto em Londres, onde recebia apenas algumas visitas (incluindo o fotógrafo Cecil Beaton) e organizava sessões espíritas.

Segundo uma testemunha, ela costumava procurar pedaços de veludo em latas de lixo vestindo usando chapéu de pele surrado e uma echarpe feita de jornal.

Casati morreu de um infarto em 1957 aos 76 anos de idade e foi enterrada com seu cachorro pequinês embalsamado e um par de cílios falsos.

Sua influência persistiu além de sua morte: as atrizes Vivien Leigh e Ingrid Bergman interpretaram personagens baseadas nela, e ela serviu de inspiração para estilistas como John Galliano, Alexander McQueen e Dries Van Noten.

O escritor beatnick americano Jack Kerouac também escreveu um poema sobre ela. “Ela trazia essa sensação de dançar na beira do abismo”, diz Mackrell. “As pessoas se agarram a estas ideias quando suas vidas estão caóticas.”

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Max Mara – 60 anos de história.

Poucas marcas podem se gabar de chegar aos 60 anos sem ter sofrido grandes alterações genéticas no estilo e na estrutura administrativa para se manter no topo. A italiana Max Mara, que completa seis décadas de moda investindo em peças atemporais, com alto padrão de qualidade e design prático, é uma delas. Para celebrar o aniversário, a grife, comandada pela família Maramotti, preparou uma série de eventos ao redor do mundo, como a exposição Coats! Max Mara 60 Years of Italian Fashion, em Moscou, Rússia. A mostra, que fica em cartaz até este mês, reúne dezenas de casacos, o símbolo-mor da etiqueta. Entre eles, o mais famoso da label: o 101801. Lançado em 1981, o modelo de comprimento 7/8 e cor camelo, tem lugar garantido em quase todas as coleções de inverno e conquistou celebridades como Cate Blanchett, Isabella Rossellini e Glenn Close. A história da Max Mara, entretanto, começou 30 anos antes dessa criação.

Nascido em 1927, na província de Reggio Emilia, Itália, Achille Maramotti, fundador da grife, chegou a se formar em direito, mas sua ligação com o universo fashion falou mais alto. Afinal, a moda já estava impressa em seu DNA. Sua bisavó, Marina Rinaldi, comandou um ateliê no fim do século 19, na terra natal da família.

Maramotti começou a carreira fazendo peças sob medida no fim da década de 1940. Alguns anos depois, percebeu que havia um grande potencial para a moda de pronta entrega e decidiu investir no prêt-à-porter. Foi quando fundou a Max Mara, em 1951. O nome surgiu da junção do seu apelido, Mara, com o nome de um famoso conde local, Max, que, segundo a lenda, andava sempre muito bem vestido, apesar de dificilmente estar sóbrio. A primeira coleção em larga escala foi marcada por um casaco camelo, uma espécie de presságio do que ainda estava por vir, e um terno vermelho.

Mesmo com o empreendimento indo bem, Maramotti nem pensava em sossegar. Investiu em linhas novas, como a Sportmax, que, assim como a marca mãe, integra o line-up da semana de moda de Milão. Também se uniu a grandes talentos do universo fashion para agregar ainda mais valor à etiqueta. Karl Lagerfeld, Dolce & Gabbana, Jean-Charles de Castelbajac e Narciso Rodriguez foram alguns dos nomes importantes que colaboraram com ela.

Mais de 50 anos após criar a grife, Achille Maramotti saiu de cena – ele morreu em 2005. Seus filhos Luigi, Ignazio e Ludovica assumiram o business, mantendo o negócio como uma empresa estritamente familiar e contrariando a atual ordem mundial dos grandes conglomerados. Apesar da injeção de sangue novo, o estilo permaneceu o mesmo. A responsável pelo feito é Laura Lusuardi, a atual diretora criativa do grupo, que já bate cartão na marca há algumas décadas e conhece profundamente seu DNA.

“O sucesso se deve principalmente à qualidade dos produtos. A equipe também é muito detalhista. Um casaco da Max Mara é para a vida inteira. É uma peça atemporal e muito elegante”, comenta Angélika Winkler, que trouxe a marca para o Brasil nos anos 1990 por meio da multimarcas K&C, muito antes da invasão de labels estrangeiras.


“Depois, a grife quis abrir pontos de venda próprios em São Paulo e me convidou para dirigir o negócio”, lembra. A primeira loja foi inaugurada em 1998, na rua Haddock Lobo. A segunda abriu as portas em 2001, no Shopping Iguatemi. Ainda existe um terceiro espaço em Curitiba. Há mais de 15 anos respirando diariamente o universo da marca, Angélika se sente à vontade para falar sobre ela. “A linha principal é mais clássica, de fato. Mas temos outras mais fashion, em sintonia com as tendências do momento”, diz a empresária.

A Max Mara, que hoje tem entre suas fãs a it-girl Katie Holmes (vira e mexe, ela é flagrada com algum item, inclusive a bolsa Margaux, um must-have), possui números de um verdadeiro império. Está presente em mais de 2 mil endereços, espalhados em 105 países, e conta com uma variedade imensa de produtos, divididos em diferentes linhas, entre elas Elegante, ‘S, Weekend, Studio e Accessori. E, apesar de todo o avanço, ainda é fiel a algumas tradições. A fábrica do grupo permanece em Reggio Emilia, onde tudo começou. “Porém parece que é do século 22 de tão moderna”, finaliza Angélika, indicando que tradição e modernidade andam lado a lado.

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Michael Kors

Michael Kors
Michael Kors, Photographed by Ed Kavishe for Fashion Wire Press.jpg
Nome completo Karl Anderson, Jr.
Nascimento 9 de agosto de 1959
Long Island, Nova Iorque, Estados Unidos
Nacionalidade  Estados Unidos
Ocupação Estilista

Karl Anderson, Jr. (Long Island, 9 de agosto de 1959), mais conhecido pelo seu nome artístico, Michael Kors, é um estilista norte-americano. Integra o juri do programa televisivo Project Runway.

Biografia

Filho de Joan Hamburger, ex- modelo, e seu primeiro marido, Karl Anderson, um estudante universitário. Aos 19 anos de idade ingressou no Fashion Institute of Technology (Nova Iorque), a fim de estudar fashion design. Em 1981, com apenas 21 anos, Kors lançou a linha Michael Kors womenswear para loja como Bloomingdale’s, Bergdorf Goodman, Lord & Taylor, Neiman Marcus e a Saks da quinta avenida. Em 1997, ganhou um prêmio de melhor estilista feminino e melhor diretor criativo ready-to-wear da multimarcas Celine, na qual, trabalhou até 2003. Em 2004, lançou a sua própria coleção, contendo não só roupas como acessórios e sapatos. A marca se espalhou pelo mundo e o estilista é um dos mais influentes de sua geração. Cultuado por celebridades como Angelina Jolie, Blake Lively, Brooke Shields e Michelle Obama.

Em 2011 sua empresa abriu capital na bolsa de valores.

Michael Kors foi eleito em 2014 pela Forbes, o mais novo bilionário do mundo.

Giuseppe Verdi – estive no local onde compôs a Ópera Nabuco, visitei a parte onde vivia com a segunda esposa e também os demais cômodos, que ainda conserva o piano que usou até morrer em Milão, Itália.

O mais famoso compositor italiano, Giuseppe Verdi, nasceu no dia 10 de outubro de 1813, em Róncole, um pequeno bairro de Busseto, perto da cidade de Parma. Por causa de suas atitudes musicais começou a se exercitar com uma modesta espineta, na pequena osteria (taverna) dos pais, tendo como primeiro maestro o organista da cidade, Pietro Baistrocchi. Com dez anos encontra em Antonio Barezzi, o mecenas que, intuídas suas inclinações musicais, o apresenta ao grande conhecedor de música, Ferdinando Provesi, enquanto o cônego Antonio Saletti lhe ensina o latim. De 1832 a 1835 está em Milão para completar seus estudos musicais às custas do Monte di Pietá de Busseto e de Barezzi que, um ano depois, lhe concede a mão de sua filha, Margherita. Não conseguindo matricular-se no Conservatório, faz aulas particulares com o maestro Vincenzo Lavigna. Em 1836 é nomeado Maestro da Escola de Música da sua cidade, mas, em 1838, muda-se com a família para Milão onde, no ano seguinte, representa com sucesso no Teatro Alla Scala sua primeira ópera “Oberto, conte di San Bonifácio”. Em 1840, de repente, perdeu os dois filhos e sua esposa. Depois desta série de desgraças e após o fracasso de sua segunda ópera, “Un giorno di regno”, Verdi cogita de abandonar para sempre a carreira de compositor. Foi convencido a continuar pelo empresário do Scala, Bartolomeo Merelli, que lhe cobrou a Ópera Nabucco (1842), obra que obteve um extraordinário triunfo, abrindo-lhe as portas dos maiores teatros da Itália e da Europa. A protagonista feminina foi a soprano Giuseppina Strepponi, que se tornou, em seguida, sua segunda esposa. Em onze anos Verdi trabalha freneticamente, criando uma quinzena de melodramas: I Lombardi alla prima Crociata (Milão 1843), Ernani (Venezia 1844), I due foscari (Roma 1844), Giovanna d’Arco (Milão 1845), Alzira (Napoli 1845), Attila (Venezia 1846), Macbeth (Firenze 1847), I masnadieri (Londra 1847), Jerusalem (versão em francês de I Lombardi, Parigi 1847), Il corsaro (Trieste 1848), La battaglia di Legnano (Roma 1849), Luisa Miller (Napoli 1849), Stiffelio (Trieste 1850), Rigoletto (Venezia 1851), Il trovatore (Roma 1853), La traviata (Venezia 1853) seguidos por Les Vêpres siciliennes (Parigi 1855), Simon Boccanegra (Venezia 1857), Aroldo (Rimini 1857) e Un ballo in maschera (Roma 1859). O sucesso foi clamoroso, sobretudo o das obras que tratavam do assunto da liberdade dos povos, problema que tocava mais ou menos todos os povos da península que estavam sob o domínio de outros países, como a Lombardia e o Veneto. Nestas regiões, os patriotas que lutavam pela unificação da Itália, escreviam sobre os muros “Viva Verdi”, onde, porém, a palavra Verdi era o acróstico de Vittorio Emanuele Rei d’Italia. São, estes, os anos dos levantes patrióticos das guerras de Independência Nacional. Verdi participa conscientemente e expressa esses sentimentos através da sua música. No ano da unificação, 1861, Verdi é eleito deputado no primeiro Parlamento Italiano. Em 1874 tornou-se Senador do Reino da Itália. A partir da primavera de 1851 o Maestro, além de se dedicar à música, começou a cuidar, na mansão de Sant’Agata, de suas terras adquiridas com os proventos da música. No final do século XIX, sua renda era a maior de toda a província de Parma. De caráter orgulhoso e severo, ele mantinha com sua terra de origem, um relacionamento de amor-ódio. Em 1862 acontece a primeira representação de La forza del destino no Teatro Imperial de São Pittsburgo; em 1867 o Don Carlo na Opera de Paris; em 1871 a Aída no Cairo; em 1873 o quarteto para arcos; em 1874 a Missa da Requiem, dedicada à memória do famoso romancista Alessandro Manzoni. Na maturidade avançada, após as revisões de Boccanegra (Milão 1881) e de Don Carlo (Milão 1884), cria duas obras-de-arte, dois novos triunfos: Otello (Milão 1887) e Falstaff (Milão 1893) e, concluindo uma atividade intensíssima e gloriosa, as quatro peças sagradas (Ave Maria, Stabat Mater, Laudi alla Vergine, Te Deum), as três últimas representadas em Paris em 1898. Após a morte da fiel companheira, Giuseppina Strepponi, Verdi passa a viver mais em Milão onde, no dia 27 de janeiro de 1901, acaba sua vida terrena. Por seu desejo, seu túmulo foi colocado, em Milão, na “Casa di Riposo Giuseppe Verdi” para músicos, edifício que ele construiu nesta cidade, para cantores e músicos necessitados e que ainda hoje se sustenta com os proventos dos direitos autorais do compositor. A Casa de Repouso e o Hospital de Villanova, igualmente construído e equipado por ele, representam a manifestação tangível da sua generosidade e solidariedade.

Alberto Santos Dumont

PIONEIRO DA AVIAÇÃO
O aeronauta brasileiro Santos Dumont também tem uma réplica no acervo do Museu de Cera de Foz de Iguaçu, no Paraná

O aeronauta brasileiro Santos Dumont também tem uma réplica no acervo do Museu de Cera de Foz de Iguaçu, no Paraná.

Alberto Santos Dumont nasceu no dia 20 de julho de 1873 no sítio Cabangu, no local que viria a ser o município de Palmira (hoje rebatizado em honra a ele), em Minas Gerais. Filho de Henrique Dumont, de ascendência francesa e engenheiro de obras públicas, e de Francisca Santos Dumont, filha de uma tradicional família portuguesa.

Com Alberto ainda pequeno a família se mudou para Valença (RJ) e passou a se dedicar ao café. Em seguida seu pai comprou a Fazenda Andreúva a cerca de 20 km de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Ali, o pai de Alberto logo percebeu o fascínio do filho pelas máquinas da fazenda e direcionou os estudos do rapaz para a mecânica, a física, a química e a eletricidade.

Em 1891, Alberto, então com 18 anos e emancipado, foi para a França completar os estudos e perseguir o seu sonho de voar. Ao chegar em Paris, admirou-se com os motores de combustão que começavam a aparecer impulsionando os primeiros automóveis e comprou um para si. Logo Santos Dumont estava promovendo e disputando as primeiras corridas de automóveis em Paris.

Com a morte do pai, um ano depois, o jovem Santos Dumont sofreu um grande abalo emocional, mas continuou os estudos na Cidade-Luz. Em 1897 fez seu primeiro vôo num balão alugado. Um ano depois, subia ao céu no balão Brasil, construído por ele. Mas procurava a solução para o problema da dirigibilidade e propulsão dos balões. Projetou então o seu número 1, com forma de charuto, com hidrogênio e motor a gasolina.

Primeiro vôo

No dia 20 de setembro de 1898 realizou o primeiro vôo de um balão com propulsão própria. No ano seguinte voou com os dirigíveis número 2 e número 3. O sucesso de Santos Dumont chamou a atenção do milionário Henry Deutsch de la Muerte que no dia 24 de março de 1900 ofereceu um prêmio de cem mil francos a quem partisse de Saint Cloud, contornasse a torre Eiffel e retornasse ao ponto de partida em 30 minutos.

Santos Dumont fez experiências com os números 4 e 5. Em 19 de outubro de 1901 cruzou a linha de chegada com o número 6, mas houve uma polêmica graças a um atraso de 29 segundos. Em 4 de novembro o Aeroclube da França declarou-o vencedor. Além do Prêmio Deutsch recebeu do presidente Campos Salles outro prêmio no mesmo valor e uma medalha de ouro.

Em 1902 o príncipe de Mônaco, Alberto 1º, ofereceu um hangar para ele fazer suas experiências no principado. Santos Dumont continuou construindo seus dirigíveis. O numero 11 foi um bimotor com asas e o numero 12 parecia um helicóptero. Em 1906 foi instituída a Taça Archdeacon para um vôo mínimo de 25 metros com um aparelho mais pesado que o ar, com propulsão própria. O Aeroclube da França lançou o desafio para um vôo de 100 metros.

Com Edison e Roosevelt

Em abril de 1902 Santos Dumont viajou para os Estados Unidos onde visitou os laboratórios de Thomas Edison e foi recebido pelo presidente Theodore Roosevelt. Em 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, o 14-Bis voou por uma distância de 60 metros, a três metros de altura e conquistou a Taça Archdeacon. Uma multidão de testemunhas assistiu a proeza e no dia seguinte toda a imprensa louvou o fato histórico. O dinheiro do prêmio foi distribuído para seus operários e os pobres de Paris, como era o costume do inventor.

Em 12 de novembro de 1906, na quarta tentativa, conseguiu realizar um vôo de 220 metros, estabelecendo o primeiro recorde de distância e ganhando o Prêmio Aeroclube. Santos Dumont não ficou satisfeito com os números 15 a 18 e construiu a série 19 a 22, de tamanho menor, chamadas Demoiselles.

Santos Dumont recebeu diversas homenagens na Europa e nas Américas, em especial no Brasil, onde foi recebido com euforia. Como o brasileiro não patenteava suas invenções, seus projetos foram aperfeiçoados por outros como Voisin, Leon Delagrange, Blériot, Flarman.

Em 1909 ocorreram dois grandes eventos: a Semaine de Champagne, em Reims, o primeiro encontro aeronáutico do mundo e o desafio da travessia do Canal da Mancha. Nesse ano Santos Dumont obteve o primeiro brevê de aviador, fornecido pelo Aeroclube da França. Em 25 de julho de 1909, Blériot atravessou o canal da Mancha e foi parabenizado por carta pelo brasileiro.

Primeira Guerra Mundial

Cansado e com a saúde abalada, Santos Dumont realizou seu último vôo em 18 de setembro de 1909. Depois fechou sua oficina e em 1910 retirou-se do convívio social. Em agosto de 1914, a França foi invadida pelas tropas alemãs. Era o início da Primeira Guerra Mundial. Aeroplanos começaram a ser usados na guerra e Santos Dumont amargurou-se ao ver sua invenção ser usada com finalidades bélicas.

Passou a se dedicar ao estudo da astronomia, residindo em Trouville, perto do mar. Em 1915, com a piora na sua saúde, decidiu retornar ao Brasil. No mesmo ano, participou do 11º Congresso Científico Panamericano nos Estados Unidos, tratando do tema da utilização do avião como forma de facilitar o relacionamento entre os países.

Já sofrendo com a depressão, encontrou refúgio em Petrópolis, onde projetou e construiu seu chalé “A Encantada”: uma casa com diversas criações próprias, como um chuveiro de água quente e uma escada onde só se pode pisar primeiro com o pé direito. Permaneceu lá até 1922, quando visitou os amigos na França. Passou a se dividir entre Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Petrópolis e Fazenda Cabangu, MG.

Em 1922, condecorou Anésia Pinheiro Machado, que durante as comemorações do centenário da independência do Brasil, fizera o percurso Rio de Janeiro-São Paulo num avião. Em janeiro de 1926, apelou à Liga das Nações para que se impedisse a utilização de aviões como armas de guerra. No mesmo ano, inventou um motor portátil para esquiadores, que facilitava a subida nas montanhas. Internou-se no sanatório Valmont-sur-Territet, na Suíça.

Em maio de 1927, chegou a ser convidado pelo Aeroclube da França para presidir o banquete em homenagem a Charles Lindberg, pela travessia do Atlântico, mas declinou do convite devido a seu estado de saúde. Passou algum tempo em convalescença em Glion, na Suíça e depois retornou à França.

Em 1928 veio ao Brasil no navio Cap Arcona. A cidade do Rio de Janeiro tinha se preparado para recebê-lo festivamente. Mas o hidroavião que ia fazer a recepção, sobrevoando o navio onde estava, da empresa Condor Syndikat, e que fora batizado com seu nome, sofreu um acidente, sem sobreviventes. Abatido, Santos Dumont retornou a Paris.

Legião de Honra

Em junho de 1930 foi condecorado com o título de Grande Oficial da Legião de Honra da França. Em 1931, esteve internado em casas de saúde em Biarritz, e em Ortez no sul da França. Antônio Prado Júnior, ex-prefeito do Rio de Janeiro, encontrou Santos Dumont doente na França, o que o levou a entrar em contato com a família e a pedir ao sobrinho Jorge Dumont Villares que fosse buscar o tio.

De volta ao Brasil, passam por Araxá, em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e finalmente no Guarujá, onde se instalou no Hotel La Plage, em maio de 1932. Antes, em junho de 1931 tinha sido eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

Em 1932, explodiu a Revolução Constitucionalista, quando o Estado de São Paulo se levantou contra o governo de Getúlio Vargas. Isso incomodava a Santos Dumont, que lançou apelos para que não houvesse uma guerra civil. Mas aviões atacaram o campo de Marte, em São Paulo, no dia 23 de julho. Possivelmente esse fato pode ter piorado a angústia de Santos Dumont, que nesse dia, aproveitando-se da ausência de seu sobrinho, suicidou-se, aos 59 anos de idade, sem deixar descendentes.

Fonte: Biografias.