Instituto Moreira Salles exibe, com exclusividade, O cavalo de Turim, de Béla Tarr

No dia 7 de janeiro de 2016, estreia no cinema do IMS-RJ o filme mais recente do cineasta húngaro Béla Tarr, que anunciou ter sido seu último trabalho. O cavalo de Turim foi exibido em fevereiro de 2011 no Festival de Berlim e chega ao circuito comercial brasileiro com exibição exclusiva no Instituto Moreira Salles. O filme conta a história do velho fazendeiro Ohlsdorfer (Janos Derzsi) e de sua filha (Erika Bók), que dividem um cotidiano dominado pela monotonia. A realidade com raras mudanças dos dois é perturbada quando o cavalo da família se recusa a comer e a andar.

No prólogo do filme, a voz de um narrador conta uma história ocorrida em janeiro de 1899 com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche em Turim, na Itália. Nietzsche sai de casa e encontra um cocheiro com problemas com seu cavalo. Como o animal não se move, o cocheiro perde a paciência e começa a chicoteá-lo. O filósofo se aproxima e interrompe a cena brutal, abraça o pescoço do cavalo e chora. O porteiro do seu prédio o leva de volta para casa, onde Nietzsche permanece deitado em um divã, sem pronunciar uma palavra por dois dias. Nos dias seguintes, enviou escritos breves conhecidos como “Cartas da loucura” (Wahnbriefe). Viveu mais dez anos, mergulhado no silêncio e na loucura, sob os cuidados de sua mãe e irmãs. O cavalo de Turim é uma recriação do que teria ocorrido com o animal após ter sido salvo pelo filósofo.

Nas palavras de Béla Tarr, “a maior parte dos filmes produzidos hoje segue o mesmo padrão: ação, corta, ação, corta. Tudo o que eles observam é a ação exterior, a historieta. Uma história não se reduz às ações humanas. Um homem parado, à espera, num canto, pode ser uma história. Existem muitas coisas importantes na vida real das pessoas que a gente de cinema julga monótona. Eu não acho essas coisas monótonas. Nos meus filmes, eu procuro estar mais perto da vida que do cinema.”

“O ponto de partida do filme é muito simples”, explicou o diretor ao apresentar o filme no festival de Berlim, em 2011. “Queríamos seguir a questão: ‘o que se passou com o cavalo depois desse incidente?’. Não é um filme sobre Friedrich Nietzsche, mas o espírito desse acontecimento paira sobre o filme como uma sombra” […] O filme é a nossa resposta ficcional a essa questão.”

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