Saint-Émilion – França. Amamos!

Saint-Émilion, onde tudo começou!

Já dizia o bom e velho ditado que tamanho não é documento. Eis Saint-Émilion para comprovar. Com menos de 3 mil habitantes, este vilarejo medieval é a região produtora de vinhos mais antiga da França – e uma das mais charmosas para visitar. De Bordeaux partem, diariamente, dois trens até ela: um no começo da manhã e outro à tarde. Para fazer o bate-e-volta, coloque sapatos confortáveis nos pés e junte um bocado de energia. Isso é o que você vai precisar para subir e descer incontáveis ladeiras históricas, caminhar entre ruas estreitas e apreciar centenas de casinhas de pedras do século 12, que refletem o dourado do sol à medida que ele se põe. Para ir direto às principais atrações, há visitas guiadas em inglês aos finais de semana (saint-emilion-tourisme.com). O city tour percorre todo o conjunto arquitetônico tombado como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco e também contempla construções subterrâneas da Idade Média, como as Catacumbas, um labirinto datado do século 8, com milhares de ossadas humanas. Das catacumbas saem as galerias que percorrem ao menos 200 quilômetros por baixo de toda a cidade e que dão acesso à Igreja Monolítica, esculpida por monges em um único bloco de pedra entre os séculos 9 e 12. Nos primórdios, suas paredes eram cobertas com pinturas sagradas e esculturas de madeira; com o tempo, elas se desgastaram e deram lugar a uma camada espessa de salitre. Durante a Revolução Francesa, a substância foi retirada para ser usada na fabricação de pólvora. História à parte, guarde fôlego para encarar os 197 degraus para subir em sua torre de 53 metros, construída com base romana e fachada gótica. Lá de cima dá para garantir boas fotos de Saint-Émilion, dos vinhedos e da Place des Créneaux, o ponto de partida para acessar outra atração curiosa: a Gruta do Ermitão. Diz a lenda que Saint-Émilion teve origem nessa caverna, onde viveu, por 17 anos, o santo ermitão que deu nome à vila. O religioso teria se instalado ali quando chegou e realizou seus primeiros milagres, atraindo monges beneditinos e peregrinos que resolveram ficar de vez. Como não há provas suficientes para comprovar sua existência, alguns juram que tudo não passa de lenda. Verdade ou não, vale a pena visitá-la, assim como a Capela Trindade, construída no século 13 em homenagem ao santo milagreiro (e sobre onde ele está enterrado). Ela é pequena e sem qualquer pompa – seu charme está nas pinturas sacras que recobrem as paredes de rocha calcária. Bem diferente da Igreja Colegiata, a maior de Saint- -Émilion. Uma vez diante dela, pare e aprecie os dois estilos arquitetônicos de sua fachada, o romanesco e o gótico. Depois entre e siga até o claustro, reconstruído no século 14 sobre as ruínas do primeiro monastério de Saint-Émilion, fundado no século 11. Uma passagem por lá não fica completa sem ver a imagem de Saint Valery, guardada no interior na igreja. Ele é o padroeiro dos produtores de vinho de Saint-Émilion ,diferentemente do restante da França, que celebra São Vicente. Fácil entender a razão dessa exclusividade: o vilarejo contabiliza quase 900 vinícolas e 80% de área dedicada ao cultivo da uva. É tanta produção, que não custa nada ter um santo próprio. Para provar os melhores vinhos, o ideal é desbravar os Château Ausone e Cheval Blanc, os únicos fabricantes de Premier Grand Cru Classé “A” – ou seja, de vinhos de primeiríssima qualidade, os mais refinados que podem existir. Você vai encontrar garrafas para comprar na maioria das 50 lojas espalhadas por Saint-Émilion, como na Maison Du Vin, que tem mais de 250 rótulos em suas prateleiras. Há desde tintos mais simplórios por € 5 até o icônico Petrus 1947, cuja garrafa sai pela bagatela de € 9.200. Independentemente de qual for a sua escolha, siga a tradição local: combine taças da bebida com os macarons religiosos – docinhos à base de amêndoas criados por freiras em 1620. Lojas especializadas vendem 24 unidades por € 6, mas a delícia também é servida nos restaurantes. No Chai Pascal, por exemplo, os macarons acompanham a sobremesa. Ao saboreá-los, permita-se um bom vinho da carta elaborada com os melhores crus de Saint-Émilion. O único problema é se empolgar demais, esquecer da vida e perder o trem de volta a Bordeaux.

Já estivemos em toda esta região  e amamos!

A repórter Danielle Motta viajou a convite da Atout France e Air France

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