Bordeaux – Uma delícia de França!!!

“La Cité du Vin” em Bordeaux

Bordeaux – Uma delícia de França!!!

As tradições culinárias e a produção de vinhos fazem desta região um verdadeiro deleite para os visitantes.

Combine vinhedos a perder de vista, vinícolas centenárias e taças dos melhores vinhos. Acrescente o tempero sofisticado de alguns dos pratos emblemáticos da culinária francesa, restaurantes com estrelas Michelin e uma sinestesia de sabores proporcionada em poucos lugares do mundo. Eis a receita básica de Bordeaux, cidade do sudoeste da França onde o sentido mais acariciado é o paladar.

Por muito tempo, Bordeaux carregou a alcunha de “A Bela Adormecida” por causa de seus prédios escuros e da aparência degradada do centro histórico. Graças a uma grande revitalização, realizada na última década, o título ficou para trás. A cidade está mais desperta do que nunca: seus bulevares foram renovados, prédios restaurados e a Place de la Bourse ganhou o maior espelho d’água do mundo.

 

   

Este é, inclusive, o ponto de encontro dos jovens, que vão caminhar sobre a superfície de 3.450 m² que ora tem jatos de água de dois metros de altura, ora uma névoa refrescante.

 

O efeito é obtido com 900 injetores que borrifam o líquido no ar.

Metade de Bordeaux, vale dizer, foi declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. São 18 quilômetros quadrados de área – o maior conjunto urbano já tombado –, que inclui 363 construções e três igrejas (Saint-André, Saint-Michel e Saint-Seurin). Você pode conhecê-la em city tours temáticos, minicruzeiros pelo Rio Garonne (que a corta de norte a sul), passeios de bike ou pelo tramway, um eficiente metrô de superfície. Também é muito fácil explorar a área urbana a pé, já que ela é bem concentrada. Carro? Sim, ele é necessário, mas quando você viaja para as vinícolas, dispersas pelos arredores.

O início de um passeio pela região turística é quase sempre na Place de Quinconces. Ela é uma das maiores praças da Europa e abriga o imenso monumento de bronze erguido em memória dos 22 girondinos condenados à guilhotina durante a Revolução Francesa.

Caminhar por ali é uma boa pedida antes de seguir até o Museu de Arte Contemporânea. Datado de 1824, ele fica em um antigo armazém que estocava produtos das colônias francesas, como cacau, café e baunilha (seu acervo, no entanto, não tem relação alguma com esse capítulo da história). A coleção com mais de mil obras é focada na pintura, na música e na dança do período que vai dos anos 1960 até os dias atuais. Nada mais gostoso que intercalar o passeio cultural com um entra e sai nas lojas e butiques de luxo do Triângulo de Ouro, a área destinada às compras.

A Galerie Bordelaise, por exemplo, é desde o século 19 um endereço excelente para os que desejam adquirir produtos de grifes. Por outro lado, itens com preços mais em conta você acha na Rue Sainte–Catherine, o calçadão de compras mais longo da Europa, com mais de um quilômetro de extensão. As artes cênicas também se destacam em Bordeaux. Seguindo em direção à Place de la Comédie, você se depara com o imponente prédio do Grand Théâtre, atual sede da Ópera e do Balé Nacional de Bordeaux. Não vai ser difícil distingui-lo: sua fachada neoclássica, concebida em 1870, tem 12 colunas colossais e 12 estátuas – entre elas, as das deusas Juno, Vênus e Minerva.Tanta sofisticação combina com uma hospedagem em grande estilo. Pois saiba que de frente para Grand Théâtre, surge na paisagem o luxuoso Grand Hôtel de Bordeaux & Spa. Além da localização privilegiada, o hotel oferece muito conforto. As acomodações são decoradas com mobiliário do século 19, os restaurantes são referência em gastronomia na França e os tratamentos do spa são um convite para cuidar do corpo e da mente. Mas esse não é o único bom hotel de Bordeaux. Há mais de uma dezena de opções de excelente qualidade. Dentre elas, destaca-se o Hotel Burdigala. O cheirinho de novo é resultado da reforma total por que passou em 2011, já que ele hospeda os visitantes de Bordeaux há mais de um século. A reconstrução lhe garantiu um design moderno, suítes mais amplas e um restaurante que condiz com o que se espera de um cinco estrelas na cidade que exala no ar o delicioso aroma que sai das cozinhas.

Capital do vinho

Sétima maior cidade do país, Bordeaux é também considerada a capital mundial do vinho. Algo que vem de muito longe. Há indícios de que a produção da bebida na região tenha começado em 48 a.C., durante a ocupação romana de Saint-Émilion, um vilarejo a 40 quilômetros de Bordeaux. A intenção, a princípio, era abastecer os soldados. O que era privilégio dos antigos guerreiros ganhou força a partir do século 12, prosperou e, hoje, garante a boa reputação de Bordeaux no cenário gastronômico. São mais de 10 mil châteaux (as propriedades onde as uvas são cultivadas, colhidas e processadas) e 57 apellations (áreas produtoras, divididas segundo o tipo de solo e de microclima). Tudo isso resulta na produção de 960 milhões de garrafas por ano. Claro que esses números não foram alcançados por acaso. O solo de pedra calcária e as águas dos rios Garonne e Dordogne, que irrigam as plantações, oferecem condições perfeitas para o crescimento dos vinhedos. São eles que asseguram a qualidade das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot e Malbec, de onde saem os tintos, e das Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle, base dos vinhos brancos. Mesmo quem ainda não conhece essas variedades nem entende muito bem o universo vinícola, acaba tendo vez em Bordeaux. Há um curso de duas horas disputadíssimo pelos turistas (veja bordeaux-tourisme.com). Além de se familiarizarem com as principais denominações, eles participam de degustação de queijos e de rótulos consagrados de tintos e brancos. E, para os iniciados, a École Du Vin, da Maison Du Vin de Bordeaux, oferece as aulas mais aprofundadas, divididas em dois ou três dias, incluindo visitas a vinícolas. Outro roteiro guiado, o Balade Gourmand, de duas horas, passa por alguns dos centros gastronômicos mais famosos. A loja de queijos Jean d’Alous e a de vinhos L’intendant, com quatro andares e mais de 15 mil rótulos regionais, estão na lista. A programação, no entanto, é apenas uma pequena mostra da cena gourmet local. Bordeaux é a cidade da França que tem o maior número de restaurantes por habitantes – são cerca de 1.000 estabelecimentos para uma população de 240 mil pessoas. Desse total, 13 são classificados com estrelas no guia Michelin, a distinção concedida somente para os melhores do mundo. Os mais badalados se espalham pela Place Du Parlement, Rue Du Pas Saint-Georges e Rue Montesquieu. Caso do Le Chapon Fin, o mais antigo da cidade, fundado em 1825. Sob o comando do chef estrelado Nicolas Frion, seu menu está sempre apresentando novidades, mesmo que as receitas triviais continuem tendo lugar cativo no cardápio. Ganhou fama ali o terrine de foie gras e a salada de lagosta, seguidos de cordeiro grelhado com pimenta e champignon. Já no restaurante Baud et Millet, por módicos € 16 é possível degustar o legítimo fromage francês acompanhado de um bom vinho. A casa tem 250 tipos de queijos servidos do jeito que você desejar, seja na forma de menu fechado ou de bufê. E engana-se quem acha que boa gastronomia é sinônimo de um rombo na carteira. Três lugares são prova do contrário: a Place de La Victoire, a Place Gambetta e a rue dês Fuassets. Nelas estão os restaurantes que agradam bolso e paladar. Dá para comer bem por € 10 em lugares como o Cassolette Café, especializado na culinária bordelaise. Entre as receitas típicas, a campeã de pedidos é o cassoulet – feijão branco cozido com linguiça e carne suína. De sobremesa, o cannelé é imbatível: trata-se de um bolinho macio por dentro e levemente crocante por fora, feito com rum, baunilha e flor de laranjeira. Uma nova área destinada à boa mesa surgiu recentemente no antigo distrito de armazéns do Quai dês Marques. O bairro passou por uma renovação e agora tem ótimos restaurantes e bares à beira do rio – especialmente indicados para quem deseja saborear frutos do mar, queijos e vinhos enquanto se aprecia o pôr do sol. Quem gosta de aderir aos costumes locais tem, ainda, outro destino: as barracas do Marche dês Capucins. Para fazer como os franceses, vá até lá em um sábado pela manhã e se delicie com as ostras de Arcachon Bay e o vinho branco da região. Uma autêntica experiência gastronômica francesa, que sai por um preço inacreditável: seis ostras e uma taça custam € 6.

A repórter Danielle Motta viajou a convite da Atout France e Air France

Deixe uma resposta