Arquivo | dezembro 2015

A Potsdamer Platz.

A Potsdamer Platz, que fica a cerca de 1 quilômetro de distância do Portão de Brandenburgo e do Reichstag, é uma praça com prédios super modernos e arrojados e é um dos locais mais movimentados e visitados de Berlim. Além de ser uma das principais atrações da cidade, a Potsdamer Platz oferece muitas opções de lazer. Você pode fazer umas comprinhas, ir jantar, jogar (tem um casino) ou simplesmente pegar um cineminha. Aqui na Alemanha os filmes geralmente são dublados, mas há algumas sessões de cinema em que o filme é com o som original. Além disto na Potsdamer Platz tem um IMAX, um cinema em 3D, que geralmente exibe alguns filmes, tipo “no fundo dos oceanos” (estou só inventando um nome), que na minha opinião não faz muita diferença ser em alemão, pois só as belas imagens em 3D já valem a pena.

A praça tem este nome desde 1831 em referência ao Portão de Potsdam que havia sido construído cerca de 10 antes e que era um dos portões que fazia parte da muralha que cercava Berlim naquela época e que dava acesso a cidade. Este portão tinha este nome pois dava acesso à estrada em direção a Postdam, cidade localizada a cerca de 25km a sudoeste. O ponto de partida para o seu desenvolvimento e crescimento foi a construção, em 1838, da estação de trens Potsdamer Bahnhof que conectava Berlim com a cidade de Postdam e depois com outras cidades também. Em 1907 foi aberta uma estação do metrô e como consequência o local se desenvolveu tremendamente sendo construído no local hotéis, restaurantes, teatros, cinema, cafés e lojas. Nos anos 20 e 30 a Potsdamer Platz era um ponto central da vida diária e noturna de Berlim. Nesta época o local era considerado o ponto de transporte e trânsito mais movimentado da Europa. Como o tráfego era muito intenso, com centenas de pessoas, carros, charretes, bicicletas e bondinhos transitando no local, foi colocado na praça, em 20 de outubro de 1924, o primeiro semáforo de Berlim (e um dos primeiros da Europa). Tratava-se de uma torre, erguida no centro da avenida, com três lâmpadas de cores diferentes dispostas horizontalmente ao invés de vertical como é comum hoje em dia. Uma réplica desta torre/semáforo pode ser vista na Potsdamer Platz, próximo ao cruzamento das ruas Potsdamer Straße e Stresemannstraße.

Assim como a maior parte do centro de Berlim, a Potsdamer Platz foi severamente bombardeada durante a Segunda Guerra, tendo metade dos seus prédios e construções destruídos. Quando Berlim foi divida em setores, a praça em si acabou como parte da fronteira entre os setores americano, soviético e britânico. Com a construção do muro em 1961 a Potsdamer Platz acabou sendo dividida em duas e até a metade dos anos 70 todos os prédios que ainda existiam foram demolidos, tornando a praça um local vazio, deserto, uma “terra de ninguém”. Do lado oriental era fortemente vigiada pelos soldados da Alemanha Oriental para evitar fugas.

Com a queda do muro, o espaço, localizado no centro da cidade, tornou-se interessante novamente, atraindo diversos investimentos. Com isto um novo distrito foi erguido, ganhando sua atual aparência moderna. Lembro que a primeira vez que vim a Berlim, no final de 2000, os arredores da Potsdamer Platz eram um grande canteiro de obras. De lá para cá muita coisa já foi construída.

Na Potsdamer Platz encontra-se o Sony Center, um complexo com lojas, restaurantes, escritórios, sofisticados flats e cinemas, incluindo o IMAX (que eu citei acima). É na Potsdamer Platz que ocorrem as pré-estréia de filmes, recebendo grandes astros de Hollywood. Algumas empresas construíram ali suas sedes e escritórios. E como eu também já havia mencionado, na Potsdamer Platz e imediações encontra-se ainda um cassino, um shopping center – o Potsdamer Platz Arkaden, assim como diversos hotéis de luxo, restaurantes e opções de lazer.

A cerca de 700 metros da Potsdamer Platz, encontra-se também um trecho longo do muro, onde ocorre a exposição “Topografia do Terror”. Além disto há também fragmentos do muro de Berlim próximo de uma das entradas do metrô da estação Potsdamer Platz e do hotel Ritz-Carlton. Quem for ver estes fragmentos do muro, pode notar que em uma parte é cheio de restos de chiclete. O interessante é que eu vi uma reportagem falando sobre alguns hábitos que se tornam tradição e depois por si só acabam se tornando uma “atração”. E como exemplo foi dado estes pedaços do muro com chiclete e um outro exemplo em Berlim foi de um poste que fica em frente a um museu, onde as pessoas colam os ingressos do museu depois da visita (acho que é tipo um adesivo).

E pertinho do Sony Center, no canteiro central da rua Potsdamer Strasse, tem uma Calçada da Fama, nos moldes da de Hollywood, só que com estrelas para celebridades alemãs.

Glienicker Brücke (Ponte Glienicke) – A ponte dos espiões

Glienicker Brücke (Ponte Glienicke) – A ponte dos espiões

A Glienicker Brücke é uma ponte que liga o bairro de Wannsee em Berlim com a cidade de Potsdam e ficou conhecida como a “ponte dos espiões”.

A história da ponte começa por volta do ano 1660, quando no local é construída uma primeira ponte, simples e de madeira, para encurtar o caminho para os nobres e a realeza dos seus palácios em Potsdam para o campo de caça do outro lado do rio Havel. À partir de 1754 a ponte passa a ser usada pelos correios para o transporte das correspondências entre Berlin e Potsdam, assim como é aberta para o trânsito de carruagens e em 1777 esta primeira ponte é substituída por outra ponte de madeira levadiça, permitindo que barcos pudessem passar. Devido ao aumento do trânsito entre as duas cidades, entre os anos de 1832 e 1834  uma nova ponte de pedra e tijolos é construída com base no projeto do arquiteto da corte Karl Friedrich Schinkel. Com o advento dos veículos motorizados e para atender as necessidades da época, a ponte é modificada pela terceira vez, sendo construída uma ponte mais alta, mais larga e de metal. Esta última ponte, que é o formato da ponte atual, foi inaugurada em 16 de novembro de 1907. Durante a Segunda Guerra Mundial a ponte é danificada e após a guerra restaurada.

Com a divisão da Alemanha no pós guerra pelos aliados em setores de ocupação, o meio da ponte acabou formando a fronteira entre lado Oriental e lado Ocidental – Potsdam é uma cidade que fazia parte da Alemanha Oriental e o bairro de Wannsee fazia parte de Berlim Ocidental.  À partir de 1952 o trânsito de carros particulares na ponte é proibido e à partir de julho de 1953 é proibido também o trânsito de pedestres civis, sendo permitida a passagem somente para os membros das forças aliadas. E é justamente neste período da Guerra Fria, que a ponte vai ganhar fama de “ponte dos espiões”, denominação dada pela imprensa.

A ponte Glienicke na época da divisão – vista do lado Ocidental

Por estar em uma área mais afastada e isolada dos centros das cidades e sendo um ponto de fronteira restrito, a ponte Glienicke foi usada pelos soviéticos e americanos para trocar espiões capturados. Durante a Guerra Fria, a ponte foi palco de trocas de espiões em 3 ocasiões, nos anos de 1962, 1985 e 1986.

E a ponte hoje, com trânsito livre

A primeira troca de espiões aconteceu em 10 de fevereiro de 1962, quando os Estados Unidos liberaram o coronel russo Rudolf Ivanovich Abel  em troca do piloto americano Francis Gary Powers capturado pela União Soviética em 1960. Vinte e três anos mais tarde, no dia 12 de junho de 1985, acontece a segunda troca de espiões quando 23 agentes americanos aprisionados na Alemanha Oriental e Polônia são trocados pelo agente polonês Marian Zacharski e mais 3 agentes soviéticos. E oito meses depois, em 11 de fevereiro de 1986, acontece a última troca de espiões na ponte Glienicke: o prisioneiro político Anatoly Sharansky,  Wolf-Georg Frohn, Jaroslav Javorský e Dietrich Nistroy foram trocados por 5 agentes ocidentais (Hana Köcher, Karel Köcher, Jewgeni Semljakow, Jerzy Kaczmarek e Detlef Scharfenorth).

Troca de espiões em 1986 (Fonte: bz-berlin.de)

Inclusive a ponte Glienicke e seu passado de troca de espiões já foi tema de filme, como “Funeral em Berlim”, de 1966 e no recém-lançado (outubro/2015) “Ponte dos Espiões” do diretor Steven Spielberg e estrelado por Tom Hanks.

Para quem quiser visitar, a ponte Glienicke não somente tem todo o peso histórico, como a área em volta é muito bonita. É circundada pelo rio, por uma área verde, e do lado de Berlim tem, por exemplo, o Palácio Glienicke e do lado de Potsdam tem a Villa Schöningen, que abriga um museu/galeria, que além de documentar a história da casa e da ponte Glienicke exibe exposições temporárias de arte. Na Villa Schöningen encontra-se ainda um Café/Bistrô.

Uma placa lembra que “aqui estava a Alemanha e a Europa divididas até 10/11/1989″

Endereço:  Am Ende der Königstraße – Wannsee, 14109 Berlim

Como Chegar:
Para chegar até a ponte Glienicke você deve pegar a linha S7 (que passa, por exemplo, pelas estações Alexanderplatz e Friedrichstraße) em direção a Potsdam Hbf e descer na estação Wannsee.  Na estação Wannsee pegue a linha de ônibus 318 na direção Glienicker Brücke e desça no ponto final.

Observação: A linha de ônibus 316 não circula com muita frequência, passa a cada 40 minutos. Então você pode programar melhor sua visita usando a ferramenta do BVG para calcular uma rota.

BERLIM, Capital da Alemanha.

Visitar Berlim, a capital da Alemanha, é visitar a história recente da humanidade. Muita coisa aconteceu nesta cidade nos últimos 70, 80 anos: guerra, destruição, derrota, separação, reunificação, reconstrução e renovação.  Berlim mudou sua cara e continua mudando! A cidade é uma mistura de prédios e monumentos antigos e históricos com construções de arquitetura moderna. Mas não só em termos de arquitetura, de “aparência física” que a cidade mudou.  Com a queda do muro, a cidade se abriu, ficou mais acessível e tornou-se multi-cultural, onde as mais variadas línguas, hábitos e culturas são encontrados. Berlim é um caldeirão cultural onde vivem povos de mais de 150 nações.

E Berlim oferece muito mais do que história! A cidade é renomada por seus inúmeros e fantásticos museus, eventos culturais e vibrante vida noturna. E tem mais um excelente motivo para visitar a cidade: em Berlim as coisas são relativamente baratas. Entre as principais capitais européias Berlim é uma das mais baratas. Venha para Berlim e encante-se por esta fascinante cidade, assim como eu e tantas outras pessoas de diversos lugares.