Rio de Janeiro – Brasil.

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Rio de Janeiro foi capital da colônia portuguesa em 1763

 

 

A mais fascinante cidade do Brasil é, de longe, a que mais concentra a história do país. O Rio de Janeiro tornou-se capital da colônia portuguesa em 1763. Em 1808, virou a sede de todo o império português, com a atropelada fuga da monarquia de Lisboa para o trópico. O Rio passou a ser a capital de um império que incluía Angola e Moçambique, na África; Goa, na Índia; Timor, Sudeste Asiático; e Macau, China.

Só em 1960, com a fundação de Brasília, e com a paralela ascensão econômica e demográfica de São Paulo, que a Mui Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro – título a ela concedido pelo imperador Pedro 1º – começou a perder prestígio e poder. Mas o charme permaneceu. Pois de 1763 a 1960 foram construídos ali os mais importantes palácios, igrejas, museus, bibliotecas, fortalezas, aquedutos e estádios brasileiros.

Foi só por acaso que o mesmo dom Pedro proclamou a independência em um riacho, Ipiranga, perto da sonolenta cidade de São Paulo. Pois quase tudo o que contou na história do país aconteceu no Rio.

No Rio se lutou ferozmente com os franceses para decidir quem seria dono da colônia, ainda no século 16. Ali chegavam os escravos da África, o ouro das ricas “minas gerais”. Ali Tiradentes foi enforcado. Ali passaram dona Maria 1ª, dita “a louca” e seu filho regente (depois rei) dom João 6º, além do filho e do neto deste, os dois imperadores Pedro de Orleans e Bragança, 1º e 2º.

Como se não bastasse, o Rio também conquistou a principal história da república, naturalmente proclamada ali mesmo. Ali se revoltou a armada, em 1893. E ali viveu e se matou o gaúcho Getúlio Vargas. Um atentado contra um opositor, Carlos Lacerda, em uma rua de Copacabana, a Tonelero, criou a crise que resultaria no suicídio do mais importante governante do país no século 20.

E o Palácio do Itamaraty, então? Antiga residência do conde com esse nome, projetado na metade do século 19, tornou-se a sede do Ministério das Relações Exteriores, para sempre vinculada ao seu mais importante titular, o barão do Rio Branco. Ainda estão ali a biblioteca e a mapoteca usadas pelo barão para consertar as fronteiras do país.

Andar pelo Rio é respirar a história do país – se você souber onde enfiar o nariz. “O que, porém, muito mais surpreende é que os próprios cariocas não estejam ao fato da história e das crônicas da capital, de que tanto se ufanam”, foi o que disse o escritor fluminense, nascido do outro lado da baía, Joaquim Manuel de Macedo (autor do famoso romance “A Moreninha”), em uma série de artigos publicados no “Jornal do Commercio”. Depois editados em um livro clássico, “Um Passeio Pela Cidade do Rio de Janeiro”, de 1862-1863, os artigos são leitura obrigatória para quem quiser flanar pela “nossa boa Sebastianópolis” da época de nossa monarquia.

Macedo começa falando do Paço Imperial, o casarão quase à beira-mar (hoje mais afastado da água) que era a sede do governo da colônia e, depois, tornou-se palácio para dom João 6º, seu filho e seu neto (que, no entanto, preferiam residir na mais espaçosa Quinta da Boa Vista).

Ali funcionaram também o Tribunal da Relação (a principal instituição da Justiça da época) e a Casa da Moeda. A praça onde fica o palácio era conhecida como Terreiro do Paço, e Macedo comenta que os nomes mudavam constantemente. Ele nem poderia imaginar que a praça onde funcionou a sede do Império – cuja constituição ele tanto admirava – mudaria mais uma vez de nome, mais tarde, desta vez homenageando a República: praça 15 de Novembro.

A praça 15, centro da cidade, é o coração do Rio antigo, que pertence a essa história recente de monarquia. “Contai agora as janelas da face lateral do Paço, que olham para o largo. Contai-as, começando da extrema que faz ângulo com a fachada principal. Contaste até sete? Parai aí”, recorda o escritor.

Qual a importância dessa sétima janela para a história do país? Foi nela que apareceu o presidente do Senado da Câmara, José Clemente Pereira, em 9 de janeiro de 1822, para dar um recado do príncipe dom Pedro: “Como é para bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”.

Na praça 15 também fica o antigo Convento do Carmo, restaurado e que hoje abriga a Universidade Candido Mendes, e o magnífico Chafariz do Mestre Valentim, obra de 1789.

Outro ponto marcante da praça, debaixo do qual transitam milhares de cariocas todos os dias, é o Arco do Teles, uma larga passagem para a rua do Ouvidor construída no começo do século 18 pelo engenheiro militar brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim.

Os engenheiros militares deixaram sua marca não só nos vários fortes ao longo da baía da Guanabara mas também em prédios civis e religiosos. A mais antiga das fortalezas portuguesas do Rio tem a mesma idade da cidade. A Fortaleza de São João, situada no morro Cara de Cão, fica no local da fundação, em 1565, da Vila de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Como bem lembrou Macedo – e ele escrevia na década de 1860! -, “estou convencido de que se podia bem viajar meses inteiros pela cidade do Rio de Janeiro, achando-se todos os dias alimento agradável para o espírito e o coração”.

Livros

  • “Um Passeio pela Cidade do Rio de Janeiro”, de Joaquim Manuel de Macedo, Livraria Garnier
  • “Guia da Arquitetura Colonial, Neoclássica e Romântica no Rio de Janeiro”, Centro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, org. Jorge Czajkowski, Casa da Palavra/ Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 4 volumes
  • “Iconografia do Rio de Janeiro – Catálogo Analítico 1530-1890”, 2 vols., Gilberto Ferrez, Casa Jorge Editorial, R$ 250
  • “Visões do Rio de Janeiro Colonial – Antologia de Textos 1531-1800”, editado por Jean Marcel Carvalho França, José Olympio Editora/Ed. Uerj, 262 págs., R$ 28,50

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IMG_0583Quem vê o que está na árvore?

IMG_0584Que amor!

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IMG_0602Vejam quem está na árvore…

IMG_0603Olha aqui na árvore…

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