História das calças femininas.

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As calças femininas foram criadas por Veneziano Pantaleone, no século XVI. Até as modelagens atuais as calças compridas já passaram por diversos formatos, volumes e polêmicas. Repletas de história, nem sempre as calças foram permitidas para as mulheres. Para vestir calças compridas e escolher cortes e proporções que valorizem seu corpo e combinem com seu estilo, a mulher precisou enfrentar quase uma batalha.

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As calças de alfaiataria mais folgadas, com as pernas largas, esse shape, que tem sua origem no estilo dos anos 1.920, foi se tornando sinônimo de elegância e poder com o passar dos tempos. Nos anos 1.950 e 1.960, as calças passaram por uma mudança radical, ganharam novos formatos: capri, slim, cigarette, etc… elas traziam uma proposta nova, acompanhando o ritmo das mulheres que se tornavam mais independentes. Nos anos 1.980, com a disputa da ala feminina pelo mercado de trabalho, a calça ganhou lugar de destaque.

O início da Primeira Guerra Mundial (1.914-1.918) contribuiu, indiretamente, para a popularização da calça. Se os maridos, pais, filhos e irmãos tinham de ir para o front, sobrou para as mulheres a tarefa de trabalhar fora de casa. O resultado? Uma dose maior de independência, liberdade para circular sozinha pelas ruas e participar de atividades esportivas.

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As roupas da época não eram lá muito apropriadas para tantas novidades.

Quem teria ousadia suficiente para liderar o movimento? Simples, a estilista que fumava e que impôs o tailleur, a moda dos cabelos curtos e das bijoux com cara de joia. Em 1.920, Coco Chanel apostou sem medo em uma das mais marcantes de suas inovações: uma calça larga, inspirada nos marinheiros, que facilitava os movimentos, era confortável e logo foi adotada nas mais badaladas rodas. Estava dada a largada para que as calças ganhassem as ruas e fossem reinventadas pelos grandes nomes da moda.

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A Primeira Guerra Mundial acelerou o uso das calças. Nas fábricas as trabalhadoras usavam calças chamadas de slack girls.

Na década de 30, as atrizes greta Garbo, Marlene Dietrich, adotaram a calça comprida. Dietrich chegou a ser notificada por um chefe da polícia de Paris por circular as margens do Rio Sena com calças e paletó masculino.

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A lei das calças femininas

Dizia que “as mulheres transvestidas como homens poderiam ser repreendidas por policiais a não ser que tivessem autorização especial” para tanto, era um resquício da Revolução Francesa. Segundo o jornal
“Le Figaro”, a ordem foi publicada em 7 de novembro de 1.800,  numa época em que o uso da calça, popularizado pelo grupo político dos Sans-Culottes, poderia ser visto como subversivo. Conseguir a tal autorização não era fácil: só com um atestado médico, que deveria ser aprovado pelo chefe de polícia ou pelo prefeito.

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Ignorada há muito tempo, como dá para se perceber, a imposição foi finalmente abolida por pedido dos comunistas.

 Restrição fashion

Em 1.972, a atual ministra do Interior, Michèle Alliot-Marie, foi impedida de entrar na Câmara dos Deputados trajando um par de calças. Na época, Michèle deu uma resposta que faria Maria Antonieta corar: “se é minha calça que incomoda, posso tirá-la o mais rápido possível”. (O Globo).

Anos 50 e 60

A libertação trazida pelo fim da guerra deixou as mulheres, cada vez mais influenciadas pelo cinema norte-americano, ávidas por novidades. No filme Sabrina (1.954), por exemplo, Audrey Hepburn (1.929-1.993) esbanjou charme e feminilidade em uma calça Capri justa.

A musa hollywoodiana se consagrou como um ícone fashion e participou da disseminação do estilo divertido e sensual das pin-ups.

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Com a chegada da era do entretenimento e contracultura, os jovens quiseram exercer o poder de decisão também na hora de se vestir. As criações de André Courrèges (1.923) surgiram como um delicioso convite. Em 1.965, ele lançou uma coleção que incluiu calças como item fundamental no closet feminino. Nessa década, as calças de couro e cintura baixa entraram em cena e ganharam o posto de queridinhas entre as mulheres.

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As calças no anos 70, 80 e 90.

A calça mais poderosa da década foi a que acompanhou o famoso smoking criado por Yves Saint Laurent 1.966. O look simbolizava o novo posto ocupado pela mulher na sociedade, com boa dose de glamour e atitude. A partir daí, o visual passou a fazer parte do guarda-roupa das mais chics. A boca-de-sino, típica dos hippies, também marcaram o período. Nos anos 80, a era da música disco, da ostentação e do uso do vestuário para mostrar poder, foi marcada, paradoxalmente, por calças inspiradas nos mendigos parisienses. A calça amarrada na cintura e com canelas à mostra, foi adotada pelos fashionistas.

Nos anos 90, tendo o minimalismo como palavra de ordem, a moda foi ditada pela simplicidade das formas, e numa época em que a preocupação era estar bem vestida demais, as calças retas se tornaram peças-chave para mulheres de todos os estilos.

As grandes maisons foram cedendo lugar às marcas de luxo e top models como Cindy Crawford, Linda Evangelista e Naomi Campbell roubaram o lugar das atrizes no imaginário da população. No final da década, começa o boom do jeans Premium, encabeçado pela Diesel.

Curiosidade sobre a calça feminina.

Em 1.850, a francesa George Sand, precisou da autorização da polícia para usar a peça sem ser molestada.

Em 1.909, o estilista Paul Poiret, apresenta, em Paris, as primeiras calças femininas, tipo sultão, inspiradas no Ballet Russo. Em 1.911 o Vaticano considerou o modelo imoral.

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