A mais bonita livraria do mundo está em Portugal.

IMG_2125IMG_2171 IMG_2172 IMG_2168 IMG_2169 IMG_2170 IMG_2171 Livraria Lello e Irmão –

A empresa remonta à fundação da “Livraria Internacional de Ernesto Chardron”, em 1869, na Rua dos Clérigos, n.º 296-298, no Porto. Antigo empregado da Livraria Moré, o cidadão francês Ernesto Chardron alcançou projeção como editor, sendo o primeiro a publicar grande parte das obras de Camilo Castelo Branco e outras de relevo na época, como o Tesouro da Literatura Portuguesa, de Frei Domingos Vieira. Após o imprevisto falecimento do fundador, aos 45 anos de idade, a casa-editora foi vendida à firma “Lugan & Genelioux, Sucessores” que, pouco depois, ficou com Mathieux Lugan como seu único proprietário. Em 1.891, a Livraria Chardron adquiriu os fundos de três casas livreiras do Porto, pertencentes a A. R. da Cruz Coutinho, Francisco Gomes da Fonseca e Paulo Podestá. Entretanto, em 1.881 José Pinto de Sousa Lello abriu um estabelecimento, nos números 18-20 da Rua do Almada , dedicando-se ao comércio e edição de livros. A 30 de junho de 1.894 Mathieux Lugan vendeu a antiga Livraria Chardron a José Pinto de Sousa Lello que, associado ao seu irmão António Lello, manteve a Chardron com a razão social de “Sociedade José Pinto Sousa Lello & Irmão”. Em 1.898, entrou para a nova sociedade o fundo bibliográfico da Livraria Lemos & C.ª, fundada pelos irmãos Maximiliano e Manuel de Lemos. Com projeto do engenheiro Francisco Xavier Esteves, no dia 13 de janeiro de 1.906 inaugurou-se o novo edifício da Livraria Lello, no número 144 da Rua das Carmelitas, causando grande impacto no meio cultural da época. A 24 de maio de 1.919, a razão social do estabelecimento foi alterada para “Livraria Lello e Irmão, Lda.”, entrando para a sociedade Raul Reis Lello, filho de António Lello. Em 1.924, entraram José Pinto da Silva Lello e Edgar Pinto da Silva Lello. Em 1.930, foi a vez de José Pereira da Costa, genro de António Lello, entrar também para a sociedade, simplificando-se então o nome para “Livraria Lello”. Cinco anos mais tarde, José da Costa afastou-se, recuperando-se a designação “Lello & Irmão”. Raul Reis Lello faleceu em 1.949 e António Lello em 1.953. À frente da livraria seguiram-se, José Pinto da Silva Lello, falecido em 1.971, e Edgar Pinto da Silva Lello, que faleceu em 1.989. Com o objetivo de se adaptar aos tempos presentes, a livraria modernizou-se, criando-se uma nova sociedade — Prólogo Livreiros, S.A. —, da qual faz parte um dos herdeiros da família Lello. Todo o espaço foi restaurado em 1.995, o serviço foi atualizado e informatizado, tendo também sido criado um espaço de Galeria de Arte e de Tertúlia que se tem afirmado como um importante polo cultural da cidade do Porto.

Dom Quixote com capa encourada e ornamentada com letras douradas em edição da Lello e Irmão compondo o acervo de uma Biblioteca Municipal no BrasilConcebido segundo projeto do engenheiro Xavier Esteves, a Livraria Lello é um dos mais emblemáticos edifícios do neogótico portuense, destacando-se fortemente na paisagem urbana envolvente. Trata-se de um conjunto em que a arquitetura e os elementos decorativos deixam transparecer o estilo dominante no início de Século XX. A fachada apresenta um arco abatido de grandes dimensões, com entrada central e duas monstras laterais. Acima, três janelas retangulares ladeadas por duas figuras pintadas por José Bielman, representando a “Arte” e a “Ciência”. Uma platibanda rendilhada remata as janelas, terminando a fachada em três pilastras encimadas por coruchéus, com vãos de arcaria de gosto neogótico. A decoração é complementada por motivos vegetais, formas geométricas e a designação “Lello e Irmão”, sob as janelas.No interior, os arcos quebrados apoiam-se nos pilares em que, sob baldaquinos rendilhados, o escultor Romão Júnior esculpiu os bustos dos escritores Antero de Quental.Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro.  Os tetos trabalhados, o grande vitral que ostenta o monograma e a divisa da livraria “Decus in Labore” e a escadaria de grandes dimensões de acesso ao primeiro piso são as marcas mais significativas da livraria. As escadarias da Lello também são conhecidas por ser a inspiração das escadas de Hogwarts nos livros de Harry Potter, já que J.K. Rowling chegou a morar na cidade do Porto. A CNN, em 2014, considerou-a a livraria mais bonita do mundo.

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